Idoso morto por bala perdida em ônibus era morador de Magé e tinha ido visitar parentes em São Gonçalo

Confronto entre policiais militares e traficantes no Jardim Catarina, em São Gonçalo, deixou um idoso morto dentro de um ônibus e uma mulher ferida; sindicato cobra mudanças em operações

Um simples encontro em família terminou em tragédia na manhã de terça-feira (2) para José dos Santos Fernandes, de 76 anos. O idoso, morador de Magé, na Baixada Fluminense, tinha ido até a casa de parentes em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, para tomar café. Na volta para casa, dentro de um ônibus que seguia pela BR-101, foi atingido nas costas por uma bala perdida durante um confronto armado entre policiais militares e traficantes do Jardim Catarina.

Segundo testemunhas, o motorista do coletivo seguiu viagem até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Manilha, mas José não resistiu ao ferimento. “Quando me deparei, já vi o homem sem vida dentro do ônibus”, relatou Jailton dos Santos, guardador de carros que presenciou a cena. O corpo foi levado ao Instituto Médico Legal (IML) de Tribobó no fim da tarde, onde familiares, abalados, realizaram o reconhecimento, mas preferiram não falar com a imprensa.

Além da morte do idoso, outra vítima foi atingida durante a troca de tiros. Rosemere Carvalho Pinto, de 43 anos, passageira de um carro de aplicativo, levou um tiro na perna. Ela foi socorrida e permanece internada no Hospital Icaraí, em Niterói, sem risco de morte.

De acordo com a Polícia Militar, os criminosos dispararam em direção à rodovia para tentar interromper uma operação na comunidade. O Globocop registrou barricadas nas vias de acesso ao Jardim Catarina, área dominada pela facção Comando Vermelho. Durante a ação, a PM informou que retirou cerca de 50 toneladas de entulho usadas para bloquear ruas, mas não houve presos.

A morte de José reacendeu críticas aos procedimentos policiais em operações em áreas urbanas. O Sindicato dos Rodoviários de Niterói e Arraial do Cabo (Sintronac) divulgou nota afirmando que vai encaminhar um ofício à Secretaria de Segurança Pública, cobrando mudanças. Para a entidade, criminosos estariam usando “tática terrorista de atirar contra a população para evitar a prisão de chefes do tráfico e a apreensão de patrimônio ilícito”.

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