O escritor húngaro László Krasznahorkai foi anunciado nesta quinta-feira (9) como o vencedor do Prêmio Nobel de Literatura de 2025. A Academia Sueca justificou a escolha afirmando que o autor foi premiado “por sua obra convincente e visionária que, em meio ao terror apocalíptico, reafirma o poder da arte”.
Com o anúncio feito em Estocolmo, Krasznahorkai se junta à lista dos grandes nomes da literatura mundial laureados com a mais prestigiada honraria das letras. O prêmio, que este ano chega ao valor de 11 milhões de coroas suecas — cerca de R$ 6,2 milhões —, consagra uma carreira marcada por romances densos, melancólicos e filosoficamente provocadores.
Um escritor do fim dos tempos
Nascido em 1954, na pequena cidade de Gyula, na Hungria, László Krasznahorkai formou-se em Direito, estudou latim e frequentou universidades como a József Attila (atual Universidade de Szeged) e a Eötvös Loránd (antiga Universidade de Budapeste). Seu estilo literário, influenciado pela filosofia e pela história política da Europa Oriental, o transformou em um dos nomes mais cultuados da literatura contemporânea.
Krasznahorkai ganhou projeção internacional com o romance “Satantango”, publicado em 1985. O livro se tornou um clássico moderno e foi adaptado para o cinema em 1994 pela diretora Béla Tarr — uma parceria que consolidou o escritor como referência do existencialismo literário do Leste Europeu.
Sua escrita é conhecida por frases longas, sem pausas, e por um fluxo de consciência que mergulha o leitor em atmosferas de desespero e transcendência. A crítica literária costuma definir seus livros como “labirínticos” e “hipnóticos”, comparando-o a autores como Kafka e Beckett.
O peso histórico do Nobel
O Prêmio Nobel de Literatura foi criado em 1901, a partir do testamento do químico e inventor Alfred Nobel, criador da dinamite. Desde então, 122 escritores já foram laureados. O reconhecimento é concedido a autores que tenham produzido obras de destaque e impacto duradouro na humanidade.
Em mais de um século de existência, o Nobel de Literatura passou por momentos de interrupção — como durante as duas guerras mundiais — e por polêmicas, como recusas de premiados. Entre os casos mais conhecidos estão o do soviético Boris Pasternak, que recusou o prêmio em 1958, e o do filósofo Jean-Paul Sartre, que em 1964 também abriu mão do prêmio.
Entre a tradição e a renovação
A vitória de Krasznahorkai dá continuidade à tendência recente da Academia Sueca de reconhecer autores de diferentes partes do mundo e de estilos literários diversos. Nos últimos anos, foram premiados escritores como Han Kang (Coreia do Sul, 2024), Jon Fosse (Noruega, 2023), Annie Ernaux (França, 2022) e Abdulrazak Gurnah (Tanzânia, 2021).
Em 2024, Han Kang foi escolhida “por sua intensa prosa poética que confronta traumas históricos e expõe a fragilidade da vida humana”. A autora sul-coreana é conhecida pelo livro “A Vegetariana”, que a projetou internacionalmente por sua abordagem sobre opressão e resistência feminina.
A lista de vencedores da última década inclui ainda nomes como Louise Glück (EUA, 2020), Olga Tokarczuk (Polônia, 2018) e Kazuo Ishiguro (Reino Unido, 2017).






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