Hospital público de Niterói referência em cirurgia plástica infantil tem vagas disponíveis; veja como acessar o serviço

Com estrutura especializada e equipe experiente, unidade realiza, sem custo para as famílias, operações que podem custar até R$ 20 mil na rede privada

Referência nacional em cirurgia plástica reparadora voltada ao público infantil, o Hospital Municipal Getulio Vargas Filho — conhecido como Getulinho — mantém, desde a década de 1960, um serviço gratuito especializado no atendimento de crianças e adolescentes de 0 a 15 anos incompletos. Localizada em Niterói (RJ), a unidade realiza intervenções para corrigir deformidades congênitas e condições que comprometem o desenvolvimento e a autoestima dos pacientes. Apesar da tradição e da qualidade do serviço, 10% da capacidade operatória mensal ainda está disponível, segundo a direção do hospital.

Segundo reportagem do jornal O GLOBO, as cirurgias mais procuradas incluem otoplastia (correção de orelhas de abano), frenectomia (remoção do freio lingual), correções de malformações como sindactilia (união de dedos) e polidactilia (dedos excedentes), além de tratamentos para queimaduras, queloides e ginecomastia em adolescentes do sexo masculino. Esses procedimentos, que podem custar até R$ 20 mil na rede privada, são oferecidos gratuitamente no Getulinho, com encaminhamento via SUS após avaliação em postos de saúde.

A importância do atendimento vai além da estética. Para muitas famílias, a cirurgia representa uma transformação na vida social e emocional das crianças. É o caso do estudante Henrique Mello da Silva, de 10 anos, que recentemente passou por uma otoplastia após sofrer bullying na escola.

— Meu filho é autista e percebemos que está interagindo mais depois da cirurgia. Foi ele quem pediu para operar. Dizia: “Quero minha orelha assim”, e apertava as orelhas no espelho. Ele sofria bullying na escola — conta Karina Barbosa da Silva, mãe de Henrique.

Apesar do receio inicial, Henrique venceu o medo e se submeteu ao procedimento. Ainda se recuperando do inchaço pós-operatório, ele já comemora o resultado.

— Na escola implicavam comigo, mas agora minhas orelhas estão bonitas. Já até tirei o curativo. Ainda não estou sentindo muito as orelhas, mas está lindo — diz o menino, sorrindo.

Em 2024, foram realizadas 133 cirurgias plásticas infantis no Getulinho. Nos primeiros três meses de 2025, 56 crianças já passaram por procedimentos. Em paralelo às atividades regulares, o hospital promoveu no ano passado o Projeto Bem-Te-Vi, um mutirão que reuniu cirurgia plástica, dermatologia clínica e psicologia, beneficiando cerca de 600 crianças entre 1 mês e 14 anos.

O serviço é conduzido pelos irmãos cirurgiões Olímpio Augusto Peçanha, de 47 anos, e José Augusto Peçanha, de 46, que atuam na unidade há aproximadamente dez anos. Eles seguem o legado do pai, o professor Olympio José Peçanha, de 73 anos, cirurgião plástico aposentado do hospital e docente da Universidade Federal Fluminense (UFF), com longa trajetória no Hospital Universitário Antônio Pedro.

— Quanto antes os pais buscarem resolver esses problemas, melhor para o desenvolvimento da criança. Fazemos o primeiro atendimento no ambulatório e solicitamos os exames necessários para a cirurgia, com anestesista e sob sedação. Após o procedimento, os pacientes seguem acompanhados no ambulatório e observamos que eles ganham qualidade de vida e fazem coisas que não faziam antes, interagem mais com os coleguinhas. A cirurgia traz esse bem-estar — destaca Olímpio Augusto Peçanha.

A história do serviço de cirurgia plástica do Getulinho tem raízes profundas na saúde pública brasileira. Criado na década de 1960, teve papel decisivo no atendimento às vítimas do trágico incêndio no Gran Circo Norte-Americano, que matou mais de 500 pessoas — a maioria crianças — e feriu centenas.

— Na época, o serviço de cirurgia plástica atuou nas cirurgias reparadoras das vítimas encaminhadas para cá. Desde então, a cirurgia plástica tem atendido pacientes que necessitam de procedimentos reparadores — relembra a pediatra Julienne Martins, diretora do hospital.

Para ter acesso ao serviço, os responsáveis devem levar a criança a um pediatra da rede municipal, que fará o encaminhamento ao Getulinho, caso detecte a necessidade cirúrgica. O hospital reforça que ainda há capacidade para atender mais crianças e alerta sobre a importância de procurar o serviço o quanto antes para garantir uma infância mais saudável e com mais qualidade de vida.

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