Homem pode ter morrido de frio na noite gelada de São Paulo; vagas para população de rua não são suficientes

Uma pessoa em situação de rua morreu por suspeita de hipotermia na madrugada gelada na capital paulista neste sábado (20). O corpo de Adriano Paulino, de 47 anos, foi encontrado na Saúde, bairro de classe média da Zona Sul da capital. Ele já havia passado algumas vezes por abrigos da prefeitura, mas estava na rua…

Uma pessoa em situação de rua morreu por suspeita de hipotermia na madrugada gelada na capital paulista neste sábado (20). O corpo de Adriano Paulino, de 47 anos, foi encontrado na Saúde, bairro de classe média da Zona Sul da capital. Ele já havia passado algumas vezes por abrigos da prefeitura, mas estava na rua quando morreu, segundo informações do padre Júlio Lancelotti.

Segundo informações do Inmet, Instituto Nacional de Meteorologia, publicadas pelo G1, a capital teve mínima de 8,3º.

A Prefeitura de São Paulo informou que aumentou o número de vagas em abrigos para receber quem está ao relento. No entanto, a quantidade total ainda é insuficiente: são 20 mil vagas para ao menos 32 mil pessoas em situação de rua na cidade, ou seja, ao menos 12 mil pessoas não têm para onde ir quando a temperatura cai.

Segundo a prefeitura, Adriano havia sido acolhido em 2 de agosto, “quando saiu do serviço e não retornou”. Ainda de acordo com a prefeitura, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado para uma ocorrência de morte provável no endereço em que ele foi encontrado.

“A ambulância foi até o local e, constatando o óbito da vítima, que estava sem identificação, acionou a Polícia Militar”

Com a nova frente fria, a prefeitura afirmou novamente que aumentou a capacidade de acolhimento.

A prefeitura tem 18 mil vagas em abrigos e criou 2.044 novas vagas para a Operação Baixas Temperaturas deste ano em equipamentos como Centros de Acolhida, Centros Esportivos e Núcleos de Convivência. No total, são cerca de 20 mil vagas.

O último censo da prefeitura, feito no ano passado, encontrou 32 mil pessoas vivendo nas ruas na capital paulista.

A prefeitura diz que também monta dez tendas entre 18h e 0h sempre que a temperatura fica abaixo de 10°C. E que, além dos chamados pelo 156, equipes fazem busca ativa, durante as noites e madrugadas, por pessoas em situação de rua.

Entre a noite da última quinta-feira (18) e 5h de sexta (19), 307 pessoas foram encaminhadas para os serviços de acolhimento e, entre 18h de sexta e 5h de sábado (20), foram 268 pessoas.

Padre Lancellotti disse que busca a família de Adriano, que estava sozinho durante a madrugada e que, provavelmente, como em vários outros casos, ingeriu bebida alcoólica para se aquecer e aguentar o frio.

Mas o que acontece no organismo é o oposto. O álcool provoca a dilatação dos vasos sanguíneos –quando eles deveriam estar contraídos, para preservar o calor do corpo.

O álcool diminui a resposta ao frio, ou seja, a pessoa passa a tolerar mais as baixas temperaturas. E é aí que está o perigo. Porque, para tolerar mais o frio, a pessoa bebe mais e vai perdendo a consciência e a capacidade de reagir a ele, explica o médico Carlos Eduardo Pompilio, clínico geral do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP).

À medida que essa capacidade de reação vai diminuindo, a chance de a pessoa morrer de frio –por hipotermia– aumenta.

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