O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta segunda-feira (16) que já apresentou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva diferentes “cenários” para a reforma do Imposto de Renda. Segundo Haddad, caberá ao presidente decidir o momento adequado para encaminhar a proposta ao Congresso Nacional. O ministro ressaltou que, do ponto de vista técnico, os cenários já estão elaborados, mas a questão envolve outros ministérios além da Fazenda, e está sendo discutida internamente.
Haddad também comentou a relação com o Banco Central e as expectativas sobre a taxa de juros. As declarações foram feitas durante a cerimônia de premiação do jornal Valor Econômico, que homenageou empresas que se destacaram pelo desempenho financeiro e pelas práticas de sustentabilidade.
O ministro afirmou que gostaria de chegar ao fim do ano comemorando a regulamentação da reforma da tributação do consumo, que cria o imposto sobre valor agregado (IVA), até porque, com isso, haveria mais tempo para discutir a reforma da renda, ainda não encaminhada ao Congresso.
O fim da regulamentação do consumo, ressaltou Haddad, está mais nas mãos das duas casas legislativas do que do Executivo. “Seria uma pena não aprovar este ano”, comentou o ministro, lembrando o esforço feito não apenas pelo ministério, que elaborou dois projetos de lei complementares na regulamentação, mas também dos presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), para a aprovação da emenda constitucional.
Sobre o tema da política monetária, o ministro admitiu que o governo comete erros tanto de comunicação quanto na relação com o BC. Ele ponderou que os acertos têm sido maiores do que os erros, apontando as revisões que têm sido feitas para cima no mercado sobre o crescimento econômico.
Haddad reconheceu que, por vezes, o governo erra na relação com o BC. “O melhor é acertar mais do que errar, acho que estamos acertando muito mais do que errando”, comentou Haddad, afirmando que também há erros do lado do BC.
“Às vezes, o próprio Banco Central pode provocar um distúrbio, porque ali são humanos também, podem errar na comunicação, provocar um distúrbio imprevisto, que às vezes precisa ser corrigido com o tempo”.
O ministro da Fazenda frisou que, mesmo com as surpresas no crescimento, o País não vive um descontrole inflacionário. Ao tratar da desvalorização cambial, ele pontuou que o mundo todo teve um repique no câmbio.
A expectativa para a quarta-feira
Ao ser questionado sobre as decisões de juros que acontecerão na quarta-feira, no Brasil e nos Estados Unidos, Haddad avaliou que houve um descompasso dos bancos centrais no mundo.
Ele lembrou que, após o mercado prever o início dos cortes de juros nos Estados Unidos em junho, a comunicação, que julgou como “torta” do Federal Reserve, levou muitos investidores a imaginar que a instituição subiria sua taxa.
As incertezas sobre os Fed Funds, disse Haddad, complicaram a situação no Brasil, contribuindo para uma série de desancoragens com a meta de inflação. Com a perspectiva de cortes de juros pelo Fed (o banco central americano), juntando-se ao Banco Central Europeu (BCE), o ministro entende que está acontecendo uma recoordenação dos bancos centrais. “Essas considerações que o Banco Central (do Brasil) terá de levar em conta para a tomar decisão”, comentou Haddad, ao abordar a reunião desta semana do Copom.
Com informações do Estadão.





