Prestes a sair do PDT, o senador Cid Gomes enfrenta reveses de ter o grupo de seu irmão, o ex-ministro Ciro Gomes, no comando do partido. Em reunião desta quinta-feira, a direção da sigla anulou as cartas de anuências concedidas pelo senador aos deputados estaduais que fazem parte de seu grupo.
Cid e os prefeitos de sua ala se filiarão ao PSB no dia 4 de fevereiro. Com a janela partidária apenas em 2026, nove integrantes da Assembleia Legislativa do Ceará (Alece) e seis suplentes dependiam deste aval interno para deixarem o PDT sem perder os seus mandatos. As cartas haviam sido concedidas pelo próprio Cid em novembro.
A manobra dos ciristas visa a atrapalhar os planos dos parlamentares, que já entraram na Justiça para que essas anuências fossem validadas e, mesmo com as anulações, podem ganhar suas desfiliações por esta via. Foi o que conseguiu o presidente da Alece, Evandro Leitão. Com o aval da Justiça, o parlamentar migrou para o PT, o que desagradou Cid Gomes, que queria uma mudança comum de todo os seguidores.
À imprensa, em dezembro, o senador reclamou da postura de Leitão de não esperar seu grupo político e tomar uma decisão individual. Ao que tudo indica, o presidente da Assembleia pode concorrer à prefeitura de Fortaleza, contra o atual prefeito do PDT, o cirista José Sarto.
A filiação de Cid ao PSB ocorrerá junto a 43 prefeitos que compõe sua ala. O restante dos cidistas ainda ficará no PDT por mais um tempo: além do impasse enfrentado pelos deputados estaduais, os quatro federais ainda não manifestaram intenção de deixar o partido de Ciro.
— Os quatro federais vão continuar no partido, vamos ver como o partido vai tratar a gente esse ano, se vão colocar a gente nas comissões importantes ou nos deixar no ostracismo. Se vão dar as lideranças para os deputados, tem que ver como vão tratar os deputados do Ceará. Eu, por exemplo, estive toda vida na CCJ, agora vão me tirar da comissão? — indagou Eduardo Bismarck.
A racha no PDT se deu por divergências internas entre as alas do ex-ministro e do senador. Enquanto Ciro defendia que o partido fosse oposição ao PT e ao governo de Elmano Freitas, Cid Gomes preferia ser base. As divergências cresceram ao longo do ano passado e chegaram ao ápice durante uma reunião no Rio em que Cid e Ciro discutiram e quase chegaram às vias de fato.
Com informações de O Globo.





