Depois de sido derrotado no encontro da PDT no Rio de Janeiro, no dia 27 passado, o senador Cid Gomes deu uma resposta à ala de seu irmão, Ciro Gomes, candidato à Presidência nas eleições do ano passado, e autorizou hoje (9) que 18 deputados federais (5) e estaduais (13) deixem a sigla. Entre eles, está a deputada estadual Lia Gomes, irmã dos dois. Com a carta de anuência, os parlamentares irão à Justiça para se desfiliar sem perder o mandato por infidelidade partidária.
— É um número significativo de pessoas que pediram ao diretório, que compreendeu coletivamente que há razões de sobra para dar a essas pessoas a carta de anuência (…) Nós ingressaremos na Justiça, individualmente, cada um demonstrando as razões e pedindo que afirme o nosso entendimento porque estamos sendo perseguidos — disse Cid Gomes em coletiva de imprensa.
O senador chama de perseguição os recentes desentendimentos com o diretório nacional, comandado pelo deputado federal e aliado de Ciro, André Figueiredo. No último dia 27, em reunião no Rio, a Executiva anunciou uma interferência na esfera estadual, que será efetivamente formalizada em reunião que ocorre ainda nesta quarta-feira, às 18h.
Inicialmente, a ala de Cid se reuniria na quinta-feira, mas o senador mudou os seus planos e adiantou o encontro, o que possibilitou que ele pudesse exercer o papel de presidente do diretório estadual. O parlamentar afirmou que espera uma reação dos ciristas:
— Nós estamos conscientes de que há uma notória perseguição da direção nacional do partido e estamos preparados para enfrentar administrativamente. Foi deliberado aqui que nós apresentaremos a nossa defesa, entendemos que não há nenhuma razão plausível ou razoável para se fazer uma intervenção — disse.
Membro da direção nacional por ser líder do PDT no Senado, Cid ainda afirmou que não foi convidado para o encontro:
—Até o presente momento não recebi nenhuma comunicação, eu tenho notícia disso pelo jornal —afirmou.
Além da judicialização, as anuências concedidas por Cid devem enfrentar outro entrave. Após a reunião do dia 27, uma resolução foi expedida para dificultar justamente a saída do partido. No documento obtido pelo jornal O Globo, a sigla afirma que a função de liberar as desfiliações cabe apenas ao diretório nacional e determina nulidade nas que descumprirem esses termos.
“O filiado eleito pela legenda do PDT reconhece, como pressuposto, que ao partido pertencerá o mandato, devendo ao partido lealdade, fidelidade e disciplina”, diz trecho da resolução.
Iniciada nas eleições do ano passado, a guerra interna entre Cid e Ciro já levou à desfiliação de 12 políticos.
Antes dos 18 deputados pedirem anuência, o presidente da Assembleia Legislativa, Evandro Leitão, foi o primeiro a receber a carta, o que gerou revolta no grupo de Ciro. O diretório nacional tentou impedir que ele se desfiliasse. Seu plano é concorrer contra o atual prefeito de Fortaleza, José Sarto, seu correligionário.
Nesta segunda-feira, contudo, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-CE) aprovou por unanimidade a desfiliação de Leitão do PDT, o que abre precedente para que outros parlamentares do grupo do senador possam deixar o partido sem perder seus mandatos.
As reuniões entre as alas ocorrem após uma queda de braço travada entre André Figueiredo e o senador Cid Gomes. Com o aval de Ciro, Figueiredo destituiu a Executiva do Ceará, que acabou reestabelecida via liminar.
Após a retomada, Cid convocou novas eleições locais e foi eleito presidente estadual. Horas depois, contudo, com outro acionamento judicial, o grupo de Ciro Gomes o retirou do posto, e o comando cearense voltou às mãos de Figueiredo.
No dia 27, o encontro no Rio simbolizou a escalada de tensão. Na ocasião, além da aprovação da intervenção, Ciro e Cid entraram em uma discussão calorosa, e quase chegaram as vias de fato.
As divergências entre os grupos do senador e do ex-presidenciável ocorrem desde o ano passado e circundam o mesmo tema: o apoio ao PT. Assim como fez no segundo turno das eleições, a ala de Cid defende que o partido retome a aliança e seja base do governador Elmano de Freitas, enquanto os ciristas preferem que a sigla fique na oposição.
Confira a lista de políticos que pediram para deixar o PDT
Deputados federais:
- Mauro Filho
- Idilvan Alencar
- Roberio Monteiro
- Eduardo Bismarck
- Leônidas Cristino
- Enfermeira Ana Paula (suplente deputada federal e vereadora de Fortaleza)
- Nilson Diniz (suplente)
- Deputados estaduais:
- Osmar Baquit
- Guilherme Bismarck
- Romeu Aldigueri
- Tin Gomes
- Lia Gomes
- Sérgio Aguiar
- Bruno Pedrosa
- Oriel Nunes
- Salmito Filho
- Marcos Sobreira
- Jeová Mota
- Antônio Granja
- Guilherme Landim
- Helaine Coelho (suplente)
Vereador:
- Júlio Brizzi
Com informações de O Globo.





