A paralisação das atividades de campo dos servidores do Ibama, do ICMBio e do Serviço Florestal Brasileiro (SFB), que já dura um mês, tem impactos negativos para o meio ambiente e para a economia do país. Segundo dados da Associação Nacional dos Servidores de Carreira de Especialista em Meio Ambiente (Ascema), houve uma queda de 69% nos autos de infração (multas e embargos) aplicados pelos órgãos ambientais em janeiro de 2024, em relação ao mesmo mês do ano anterior. Além disso, a fiscalização contra o desmatamento e o garimpo ilegal em terras indígenas está suspensa.
A greve dos servidores ambientais também preocupa o setor elétrico, que depende de licenças ambientais para operar e expandir a geração e a transmissão de energia no país. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, enviou um ofício ao Ministério do Meio Ambiente, pedindo que intervenha na situação. Ele alertou que a falta de vistorias em campo inviabiliza a análise de pedidos de licenças para grandes obras de infraestrutura, como hidrelétricas, linhas de transmissão, portos, aeroportos, estradas e plataformas de petróleo e gás. Essas obras são essenciais para o desenvolvimento do país e para o novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
A Associação Brasileira das Empresas Geradoras de Energia Elétrica (Abrage) também manifestou sua preocupação com a greve dos servidores ambientais, em carta enviada ao governo. A entidade afirmou que os licenciamentos ambientais são cruciais para a operação das grandes usinas hidrelétricas, que garantem o abastecimento e a segurança do suprimento energético nacional.
Os servidores ambientais reivindicam melhores condições de trabalho, valorização salarial, autonomia técnica e respeito à legislação ambiental. Eles afirmam que sofrem pressões políticas e interferências indevidas na gestão dos órgãos. As negociações com o governo seguem sem acordo e não há previsão de retorno das atividades.
Com informações de O Globo





