Governo Federal oficializa Plano Safra, que terá R$ 525 bilhões e juros menores para agricultura empresarial

Planalto anuncia crédito para custeio, comercialização e investimentos, com redução nas taxas e incentivo a produtores com regularização ambiental e práticas sustentáveis

O governo federal anuncia nesta terça-feira (30) o Plano Safra 2026/2027 para a agricultura empresarial, com R$ 525,1 bilhões destinados ao financiamento da produção agropecuária. O valor representa aumento de R$ 8,9 bilhões em relação ao ciclo anterior, o equivalente a uma alta de 1,72%.

A nova edição do programa prevê taxas de juros entre 8% e 12,5%, com redução de até 1,5 ponto percentual na comparação com o ano-safra 2025/2026. O plano reúne linhas de crédito, incentivos e instrumentos de política agrícola voltados principalmente a médios e grandes produtores rurais.

A cerimônia oficial de lançamento foi marcada para as 10h, no Palácio do Planalto, com a presença do presidente da República em exercício, Geraldo Alckmin, e do ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula.

Crédito para produção e comercialização

Do total anunciado, R$ 384,9 bilhões serão destinados ao custeio e à comercialização. Esses recursos financiam despesas essenciais da atividade agropecuária, como compra de insumos, condução das lavouras, manutenção dos rebanhos e apoio à venda da produção.

O montante reservado para essa finalidade representa crescimento de 7% em relação ao ciclo anterior.

Outros R$ 140,2 bilhões serão direcionados a investimentos, com foco na modernização da produção, ampliação da capacidade de armazenagem e adoção de novas tecnologias no campo. Segundo o governo, esse valor é 38% superior ao anunciado no último ano.

Juros variam conforme a linha

As menores taxas foram definidas para programas específicos. O PCA para até 12 mil toneladas terá juros de 8% ao ano. O RenovAgro Ambiental e as linhas de recuperação ou conversão de pastagens terão taxa de 8,5%.

O Pronamp contará com juros de 9%, enquanto RenovAgro e PCA terão taxa de 9,5%.

Já Inovagro, Proirriga, Investimento Empresarial e Moderfrota Pronamp terão juros de 11,5%. Prodecoop e Procap-Agro ficarão em 12%. As maiores taxas, de 12,5%, serão aplicadas ao Moderfrota e ao Custeio Empresarial.

Desconto para sustentabilidade

O Plano Safra 2026/2027 também cria um mecanismo de incentivo à sustentabilidade, com juros menores nas operações de custeio para produtores que estiverem com a regularização ambiental em dia e adotarem práticas sustentáveis.

Pelas novas regras, o desconto pode chegar a 1 ponto percentual.

A redução será dividida em duas partes. Produtores com o Cadastro Ambiental Rural (CAR) regular poderão obter desconto de até 0,5 ponto percentual. Outros 0,5 ponto percentual poderão ser concedidos a quem adotar práticas agropecuárias sustentáveis, padrões de gestão ou certificações reconhecidas.

Na prática, o produtor que cumprir os dois critérios poderá contratar crédito de custeio com taxa até 1 ponto percentual menor do que a originalmente prevista para a linha de financiamento.

Aposta em produtividade e modernização

Com o novo Plano Safra, o governo busca ampliar o acesso ao crédito rural em um cenário de custos elevados para o setor produtivo. A redução das taxas e o aumento dos recursos para investimento indicam uma tentativa de estimular a modernização da agropecuária, a ampliação da infraestrutura no campo e a adoção de práticas ambientais mais responsáveis.

O programa é considerado um dos principais instrumentos de política agrícola do país e influencia diretamente o planejamento financeiro de produtores rurais, cooperativas e empresas do setor agropecuário ao longo do ciclo 2026/2027.

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