Frente da Alerj entra na mobilização por programa federal de hip-hop nas escolas com verba de R$ 50 milhões

Deputada Dani Monteiro, coordenadora da frente parlamentar, oficiou prefeituras para adesão ao programa Escola Nacional de Hip-Hop H2E; Ministério da Educação prevê investimentos entre 2026 e 2027 em formação de professores, materiais pedagógicos e ações ligadas à cultura hip-hop nas redes públicas

A cultura hip-hop pode ganhar espaço ampliado nas escolas públicas brasileiras a partir de uma iniciativa do Ministério da Educação voltada à integração de elementos culturais nas atividades pedagógicas.

No Rio de Janeiro, a proposta começou a mobilizar redes municipais de ensino após a presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Cultura Hip-Hop na Assembleia Legislativa (Alerj), deputada Dani Monteiro (Psol), enviar ofícios às prefeituras incentivando a adesão ao programa federal.

A iniciativa, chamada Escola Nacional de Hip-Hop H2E, prevê ações pedagógicas relacionadas à música, dança, graffiti e outras expressões ligadas ao hip-hop. O programa também inclui formação de professores, produção de materiais educativos e atividades voltadas às juventudes periféricas.

Mobilização nos municípios

A solicitação de adesão foi enviada às secretarias municipais de Educação dos 92 municípios fluminenses. Nos documentos, a parlamentar incentiva as redes municipais a aderirem ao programa do Governo Federal, que está com inscrições abertas até o dia 30 de maio.

Segundo o Ministério da Educação, a proposta prevê investimento de R$ 50 milhões entre 2026 e 2027 para iniciativas de inovação pedagógica, capacitação de profissionais da educação e fortalecimento de práticas educativas relacionadas à cultura hip-hop.

Debate sobre educação e pertencimento

A deputada afirmou que há tempos o hip-hop exerce um papel de formação social e cultural em comunidades periféricas e defendeu o reconhecimento desse processo dentro da escola. Segundo ela, a presença de referências culturais ligadas ao cotidiano dos estudantes pode contribuir para fortalecer seu vínculo com o ambiente escolar.

“O hip-hop sempre foi escola extraoficial nas favelas. Foi através dele que muitos jovens aprenderam sobre identidade, racismo, direitos e autoestima. Mas quando a cultura dessa juventude entra na escola, o estudante entende que aquele espaço também pertence a ele. Isso ajuda no vínculo e na permanência escolar”, acredita.

A deputada também é autora da lei estadual que criou o programa Hip-Hop nas Escolas na rede pública estadual do Rio de Janeiro.

Adesão voluntária

Além do envio dos ofícios, Dani Monteiro levou o tema ao plenário da Alerj nesta semana e afirmou que pretende ampliar o debate junto a coletivos culturais, artistas e profissionais da educação.

A adesão ao programa Escola Nacional de Hip-Hop H2E é voluntária e deve ser realizada diretamente pelas secretarias municipais de educação interessadas em participar da iniciativa.

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