Governo exonera 2 delegados da Polícia Federal investigados por participação no esquema de vigilância ilegal da Abin

Carlos Afonso ocupava a função de coordenador de Aviação Operacional da PF; o outro delegado é Marcelo Bormevet. Exonerações já foi foram publicadas no Diário Oficial

O governo federal exonerou hoje (26) dois delegados da Polícia Federal  alvos da investigação que apura se a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) foi usada durante o governo de Jair Bolsonaro para atender interesses do ex-presidente e investigar clandestinamente autoridades da República. Ambos são delegados da Polícia Federal e ocupavam cargos de confiança.

Carlos Afonso Coelho, um dos dispensados do cargo, era coordenador do comando de Aviação Operacional da Polícia Federal. Além dele, o assessor na Subchefia Adjunta de Infraestrutura da Casa Civil, Marcelo Bormevet também foi dispensado do cargo. Os dois são servidores de carreira. As exonerações já foram publicadas no Diário Oficial.

Carlos é investigado por participar de esquema de espionagem irregular dentro da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Ele era secretário de Planejamento e Gestão da Abin na gestão Alexandre Ramagem, que hoje é deputado federal pelo PL do Rio de Janeiro.

Alexandre Ramagem foi um dos alvos da operação “Vigilância Aproximada” da Polícia Federal, realizada nesta quinta-feira (25). A operação foi autorizada por decisão judicial do ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal (STF).

No relatório de Moraes, o ministro afirma que a “alta gestão” da Abin naquele momento – “especificamente Alexandre Ramagem e Carlos Afonso” – “interferiu nas apurações disciplinares para que não fosse divulgada a instrumentalização da Abin”.

De acordo com a investigação da PF, a possibilidade de que fosse revelado o uso irregular do sistema de monitoramento “First Mile” levou os então gestores da Abin a anular um processo administrativo disciplinar sobre o tema.

Ramagem e Afonso também teriam agido para “dar aparência de legalidade” ao uso irregular do First Mile. O sistema foi usado, segundo a PF, entre 6 de fevereiro de 2019 e 27 de abril de 2021.

Com informações do g1.

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