Golpe da Receita Federal: mulher é presa após roubar até quadro de Di Cavalcanti de idosos

Investigação revela detalhes do golpe da falsa Receita Federal no Rio, que enganava aposentados com promessas de regularização de imposto e levava joias, quadros e dinheiro

A Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu Thaiza Carine da Costa Oliveira, acusada de aplicar o chamado golpe da Receita Federal, voltado especialmente contra aposentados e pensionistas das zonas Sul e Norte da capital. A criminosa, segundo os investigadores, fazia parte de uma quadrilha que já teria arrecadado mais de R$ 7 milhões com esse tipo de fraude nos últimos seis meses.

A estratégia do grupo começava com uma ligação telefônica: um dos membros da quadrilha se passava por servidor da Receita Federal e dizia que havia um erro na declaração do Imposto de Renda da vítima. O suposto erro envolvia bens de alto valor não declarados — o que gerava pânico nos idosos, alvos preferenciais da quadrilha.

Em seguida, entrava em cena Thaiza Carine, que se apresentava pessoalmente na casa das vítimas como uma “funcionária” da Receita. Com discurso técnico e aparência convincente, ela convencia os idosos a entregarem joias, dinheiro em espécie, aparelhos eletrônicos e até obras de arte. Em um dos casos, a criminosa levou um quadro original de Di Cavalcanti, renomado artista brasileiro.

Além de recolher os bens físicos, a falsa servidora também exigia transferências via Pix. Em um dos episódios, ela chegou a acompanhar uma idosa de mais de 80 anos até o banco, dizendo que era necessário “resolver pendências fiscais”. O dinheiro da aposentada foi transferido para contas dos golpistas.

Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que Thaiza entra e sai com as vítimas, sempre de forma aparentemente amistosa, o que dificultava a desconfiança de vizinhos ou familiares.

Segundo a delegada Daniela Terra, titular da 15ª DP (Gávea), as investigações continuam: “Vamos identificar todos os demais integrantes dessa associação criminosa e tentar recuperar parte dos bens furtados”, afirmou. A delegada fez ainda um alerta: “A Receita Federal nunca liga para ninguém. Nenhuma pendência fiscal é resolvida por telefone ou em visitas domiciliares.”

Thaiza Carine já era conhecida da polícia: ela havia deixado a prisão em fevereiro, após cumprir pena por roubo. Agora, confessou o novo crime durante depoimento. A Polícia Civil acredita que a quadrilha cometia até dois crimes por semana e que outros integrantes ainda estão foragidos.

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