Na edição desta terça-feira, 9, o Jornal Nacional (Globo) omitiu as duríssimas críticas do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), à Operação Lava Jato, em julgamento que validou a utilização das mensagens vazadas da operação golpista pela defesa do ex-presidente Lula.
Com a deliberada sonegação da fala de Gilmar – único dos cinco ministros da Segunda Turma sem espaço no noticiário – a Globo volta à velha prática de tentar suprimir a verdade que lhe é desagradável. Funcionava à época em que reinava absoluta. Hoje, é motivo de chacota nas redes sociais, onde se tem acesso livre a toda informação que a emissora tenta sonegar.
A omissão das críticas de Gilmar causou revolta entre os internautas nas redes sociais. A censura das falas do ministro do STF, entretanto, já era prevista. Mais cedo, o jornalista Aquiles Lins, do Brasil 247, questionou se o programa da Globo – emissora que mais impulsionou a Lava Jato e Moro – iria divulgar a decisão do STF.
“O Jornal Nacional simplesmente ignorou a fala de Gilmar”, denunciou um internauta no Twitter.
“Jornal Nacional omite fala de Gilmar Mendes. Continua igual, que vergonha. Isso não é jornalismo”, criticou outro.
“Jornal Nacional não reproduziu nenhuma linha do voto do Gilmar, mas leu uma nota do Moro quase na íntegra. Canalhas”, exclamou outro nas redes sociais.
O voto demolidor de Gilmar Mendes
Em seu voto no julgamento sobre o acesso à defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva às conversas vazadas entre procuradores da Lava Jato e o Sérgio Moro, o ministro do STF Gilmar Mendes fez duras críticas aos procedimentos das autoridades do MPF e do ex-juiz na condução dos processos que têm Lula como réu.
“Ou os hackers merecem o Nobel de literatura, ou as mensagens são verdadeiras”, disse Gilmar Mendes, referindo-se ao argumento da defesa dos procuradores, de que as mensagens vazadas poderiam ter sido inventadas pelo hacker que teve acesso aos diálogos.
“Ou nós estamos diante de uma obra ficcional fantástica, ou estamos diante de um caso extravagante, que o colunista do The New York Times tem razão de dizer: é o maior escândalo judicial da História da Humanidade”, continuou Gilmar, agora em referência a um artigo do professor Gaspard Estrada, da universidade Sciences Po de Paris, publicado no The New York Times.
Gilmar Mendes comparou o modus operandi da Lava Jato ao da Stasi, a terrível polícia secreta da Alemanha oriental. As espionagens do Serviço de Segurança do Estado (Stasi) da Alemanha comunista destroçaram a carreira política de vários alemães orientais, de modo absolutamente condenável, sem qualquer respeito ao processo legal.
Gilmar Mendes citou casos da Lava Jato em que os procuradores, articulados com setores da Receita Federal, pediam informações informais sobre seus alvos, abandonando o respeito aos procedimentos legais exigidos em tais solicitações.
– Vejam, eles pediam dados informalmente. Vejam a que se prestou a Receita Federal, uma instituição que já teve em seu comando o brilhante Everardo Maciel .
Com sarcasmo demolidor, Gilmar Mendes fez blague com o apelido a que se referiam os procuradores ao então juiz Sérgio Moro, o Russo.
– O que faziam, de fato, talvez fosse baseado no direito penal Russo.
Globo omite a demolidora crítica de Gilmar Mendes à Lava Jato
Na edição desta terça-feira, 9, o Jornal Nacional (Globo) omitiu as duríssimas críticas do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), à Operação Lava Jato, em julgamento que validou a utilização das mensagens vazadas da operação golpista pela defesa do ex-presidente Lula. Com a deliberada sonegação da fala de Gilmar – único dos cinco…






Deixe um comentário