Globo adota protocolo para desfile sobre Lula na Sapucaí e evita riscos jurídicos

Emissora orienta repórteres, apresentadores e equipe digital a manter tom sóbrio na cobertura do enredo da Acadêmicos de Niterói para evitar acusações de propaganda política

A transmissão do desfile da escola Acadêmicos de Niterói no primeiro dia do carnaval carioca levou a Globo a estabelecer um protocolo interno para sua cobertura na Marquês de Sapucaí. A preocupação da emissora é evitar que a homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja interpretada como propaganda política antecipada.

Procurada para comentar o tema, a empresa afirmou apenas que exibirá todos os desfiles do Rio e de São Paulo na íntegra, além das apurações oficiais, informa a Folha de S.Paulo. Nos bastidores, porém, profissionais receberam orientações específicas para manter a cobertura informativa e neutra.

Orientações para evitar conotação política

Segundo informações apuradas, a primeira diretriz determina que, diante de qualquer manifestação política explícita, o coordenador da transmissão deve alterar o enquadramento para planos abertos das alas, reduzindo o foco em mensagens ou faixas com teor eleitoral.

Outra recomendação envolve o comportamento dos repórteres. Eles foram orientados a adotar postura sóbria ao comentar o enredo, priorizando a descrição de fantasias, alegorias e elementos artísticos. Também foi sugerido evitar entrevistas com foliões que queiram expressar posicionamentos políticos.

Apresentadores e redes sociais sob monitoramento

A terceira orientação foi direcionada aos apresentadores Alex Escobar, Mariana Gross, Milton Cunha e Karine Alves. Eles receberam a instrução de estudar a trajetória do presidente, mas evitar comentários que possam soar entusiasmados ou interpretados como apoio político.

O protocolo também alcançou a equipe digital. Nas redes sociais e no Globoplay, o tratamento do desfile deverá seguir tom informativo, com resumos e conteúdos publicados de forma mais neutra.

Audiência alta e temor jurídico

Internamente, a emissora vê o desfile como potencial campeão de audiência, já que a apresentação está prevista para a faixa das 22h, considerada nobre na programação.

Por outro lado, há receio de questionamentos judiciais. Partidos adversários do governo já manifestaram preocupação com possível propaganda eleitoral antecipada. Na última semana, o Tribunal Superior Eleitoral rejeitou um pedido do Partido Novo para impedir o desfile, avaliando que a medida configuraria censura prévia.

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