Gleisi diz que manter Selic em 15% é ‘decisão descasada da realidade’

Ministra das Relações Institucionais afirma que juros altos prejudicam investimentos, crédito e geração de empregos, e defende política econômica voltada à retomada do crescimento

A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), criticou duramente a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de manter em 15% a taxa básica de juros, a Selic. A decisão foi unânime entre os membros do colegiado e anunciada na noite desta quarta-feira (6).

Em mensagem publicada nas redes sociais, Gleisi classificou a medida como injustificada e prejudicial ao país. “A decisão do Copom de manter pela terceira vez a taxa Selic em 15% é prejudicial aos investimentos produtivos, ao acesso ao crédito, à geração de empregos e ao equilíbrio das contas públicas. É prejudicial ao Brasil. Nenhuma economia do mundo pode conviver com um juros reais de 10%. Nada justifica uma decisão tão descasada da realidade, dos indicadores econômicos, das necessidades do país”, escreveu.

Juros seguem no maior patamar desde 2006

Esta é a terceira vez consecutiva que o Copom mantém a taxa no mesmo nível, após sete aumentos seguidos. Com 15% ao ano, a Selic atinge o maior patamar desde 2006.

A política de juros altos começou a ser implementada em setembro de 2024, quando o comitê decidiu interromper o ciclo de cortes e elevar a taxa de 10,50% para 10,75% ao ano. Desde então, as reuniões do Copom vêm sinalizando que a prioridade do Banco Central é conter a inflação e manter a política de convergência para a meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional.

Copom defende estratégia de controle da inflação

Em comunicado divulgado após a reunião, o Copom afirmou que a decisão é “compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante”.

O texto destaca que o cenário internacional de incertezas e pressões inflacionárias em diversas economias ainda exige cautela. Segundo o comitê, manter os juros em 15% é necessário para consolidar a trajetória de estabilidade de preços.

Reação política e debate sobre crescimento

As críticas de Gleisi Hoffmann refletem o incômodo de parte do governo com a postura do Banco Central. O Palácio do Planalto defende que a redução dos juros é essencial para reaquecer a economia, ampliar o crédito e impulsionar o investimento privado.

A ministra é uma das vozes mais enfáticas do governo Lula na defesa de uma política monetária voltada ao crescimento. Para Gleisi, o atual nível da Selic limita a expansão do setor produtivo e atrasa a geração de empregos.

O debate sobre os juros tem sido recorrente desde o início do mandato. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já afirmou em diversas ocasiões que considera a taxa básica incompatível com a realidade econômica do país e com o ritmo de queda da inflação.

Enquanto o Banco Central mantém o discurso de prudência, a ala política do governo insiste que o foco deveria se deslocar para o estímulo ao desenvolvimento e ao investimento.

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