Gleisi alerta: se decreto do IOF for rejeitado, haverá bloqueio de emendas de quase R$ 10 bilhões

Ministra das Relações Institucionais diz que impacto atinge orçamento deste ano e compromete liberação de recursos em 2026


A derrubada do decreto que aumentou a alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) pode elevar o bloqueio de emendas parlamentares para R$ 9,8 bilhões ainda neste ano, afirmou nesta quarta-feira (25) a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann.

Segundo Gleisi, caso o Congresso anule os efeitos do decreto editado no início de junho, o governo federal precisará ampliar em R$ 2,7 bilhões o congelamento de emendas, ampliando a trava já existente no Orçamento. “A derrubada do decreto compromete não só o orçamento deste ano, mas também o do ano que vem, com perda estimada de R$ 7,1 bilhões em emendas parlamentares”, escreveu a ministra em publicação na rede social X (antigo Twitter).

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), surpreendeu o Planalto ao anunciar às 23h35 de terça-feira (24), também pelas redes sociais, que colocaria em votação nesta quarta o projeto de decreto legislativo que anula o reajuste do IOF. O movimento pegou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de surpresa, que acionou Gleisi imediatamente após ser informado da pauta. A expectativa do governo era que o tema só fosse apreciado após o recesso parlamentar.

Senado deve analisar decreto assim que Câmara concluir votação

Caso o projeto seja aprovado na Câmara, o Senado também deve analisar a matéria ainda nesta quarta. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), já confirmou que pretende submeter a proposta ao plenário assim que ela for encaminhada, o que acendeu o sinal de alerta no Palácio do Planalto. A avaliação entre aliados é que o governo pode sofrer uma derrota em ambas as casas.

Desde cedo, Gleisi tem se mobilizado em conversas com líderes da base governista e articuladores políticos na tentativa de evitar que a oposição consiga maioria para derrubar o decreto. Ela voltou a defender publicamente a medida, argumentando que o novo modelo do IOF foi desenhado para adequar a arrecadação às exigências do arcabouço fiscal aprovado pelo Congresso.

“O novo decreto do IOF traz ajustes necessários para a execução do Orçamento. Quando falam em aumento de imposto, é preciso lembrar que o IOF para cartões internacionais era de 6,38% em 2022 e agora está sendo fixado em 3,5%, depois de duas reduções consecutivas na alíquota”, destacou Gleisi em nova postagem nas redes.

A ministra também relembrou que, durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, a alíquota do IOF era superior à fixada no decreto atual, rebatendo críticas de parlamentares que apontam uma suposta elevação de tributos promovida pelo governo Lula. Segundo ela, o Executivo retirou do texto original trechos que previam ajustes sobre outras operações financeiras, em resposta às demandas do Legislativo.

LEIA MAIS

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading