Um médico ginecologista foi preso na quinta-feira (23), suspeito e acusado de cometer abusos contra pacientes durante consultas em Goiânia e região metropolitana. Após audiência de custódia realizada na sexta-feira (24), a Justiça decidiu manter a prisão preventiva de Marcelo Arantes e Silva.
De acordo com a Polícia Civil, o profissional é investigado por uma série de crimes classificados como estupro de vulnerável. Até o momento, 23 mulheres foram identificadas como possíveis vítimas — sendo 10 em Goiânia e 13 em Senador Canedo. Em ao menos um dos casos, o Ministério Público já apresentou denúncia formal à Justiça.
O médico permaneceu em silêncio durante o depoimento e está detido no presídio de Senador Canedo.
Investigações apontam padrão de comportamento
Segundo a delegada responsável pelo caso, novas denúncias surgiram recentemente e reforçaram o pedido de prisão. Três mulheres procuraram a Delegacia da Mulher em março relatando episódios semelhantes envolvendo o mesmo profissional.
As investigações indicam que o médico adotava um padrão para conquistar a confiança das pacientes antes dos abusos. Os relatos incluem toques indevidos durante exames e perguntas invasivas sobre a vida íntima.
De acordo com a polícia, há denúncias de procedimentos realizados sem o uso de luvas, questionamentos de cunho sexual e até práticas completamente incompatíveis com o atendimento médico.
Relatos reforçam acusações
Uma das vítimas afirmou que ficou paralisada durante o atendimento, sem reação diante da situação. Ela relatou que a consulta começou de forma aparentemente normal, mas evoluiu para comportamentos inadequados.
Outro depoimento aponta que os abusos teriam ocorrido mais de uma vez, inclusive em uma ocasião em que a paciente estava acompanhada da filha adolescente.
As autoridades destacam que a vulnerabilidade das vítimas, tanto física quanto psicológica, durante o atendimento médico é um dos fatores que sustentam a tipificação dos crimes.
Casos podem ser mais numerosos
A investigação indica que o primeiro caso conhecido ocorreu em 2017, em Senador Canedo. Outros registros surgiram nos anos seguintes, incluindo denúncias em 2020 e novos relatos entre 2025 e 2026.
A Polícia Civil acredita que o número de vítimas pode ser maior. Por isso, a divulgação da identidade do médico foi autorizada, com o objetivo de incentivar outras possíveis vítimas a procurarem as autoridades.
A prisão preventiva foi solicitada para interromper a suposta continuidade dos crimes, e o prazo da detenção é indeterminado enquanto os inquéritos seguem em andamento.
Defesa nega acusações
A defesa do médico afirma que ele é inocente e considera a prisão desnecessária. Os advogados informaram que irão recorrer da decisão judicial.
Segundo a defesa, o profissional já se afastou das atividades, tem colaborado com as investigações e possui histórico ético. Também alegam que ele já foi absolvido em um dos processos anteriores.
Registro profissional suspenso
O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) informou que o registro do médico foi suspenso por decisão judicial.
O órgão destacou que apurações sobre conduta ética são realizadas sob sigilo e que solicitou esclarecimentos às unidades de saúde citadas nas investigações.
As autoridades reforçam a importância de denúncias para o avanço das investigações e orientação às vítimas para que procurem canais oficiais de atendimento.






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