General golpista preparou roteiro para deputados bolsonaristas defenderem atos de 8 de janeiro

‘Em relação a Moraes e ao STF, a orientação era dizer que prisão dos ‘patriotas’ se comparava à prisão dos judeus pelos nazistas’

A Polícia Federal encontrou em um HD do general Mário Fernandes documento que servia como roteiro a ser usado por deputados bolsonaristas durante a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do 8 de Janeiro.

O ex-secretário-executivo da Secretaria-Geral da Presidência, Fernandes, foi detido nesta terça-feira (19) sob a acusação de participação em uma conspiração golpista que incluía planos para assassinar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. A prisão foi parte de uma ampla investigação sobre ações antidemocráticas no período pós-eleitoral de 2022.

De acordo com os documentos apreendidos durante a investigação e divulgado pelo colunista do Metrópoles, Tácio Lorran, foram identificadas orientações estratégicas que deveriam ser adotadas pela oposição. Essas diretrizes incluíam ataques direcionados ao governo federal, ao STF, ao ministro Alexandre de Moraes e à Polícia Federal (PF), com o objetivo de enfraquecer as instituições democráticas e criar um clima de instabilidade no país.

Elas foram chamadas de “ideias-forças” e tinham as seguintes finalidades:

  • Desgastar o governo com afastamento dos ministros; e impeachment do presidente da República;
  • Desgaste do STF e de Moraes, a fim de acabar com “ditadura da toga”; impeachment de ministros da Suprema Corte;
  • Anular a prisão e articular a soltura dos “patriotas”.

O roteiro também lista autoridades que devem ser convocadas (como o então ministro da Justiça Flávio Dino e o ex-ministro do GSI general Gonçalves Dias) e faz sugestões de inúmeras perguntas.

Roteiro previa jogar culpa em Lula por 8 de Janeiro

No caso do governo, a estratégia era mostrar que a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teve “responsabilidade” nos atos, porque “tinha conhecimento do que poderia acontecer e não atuou para evitar a depredação do patrimônio público”.

A sugestão era dizer que houve prevaricação do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e do Gabinete de Segurança Pública (GSI). “Mostrar, também, a possível leniência do governo federal para que estes fatos ocorressem, a fim de explorá-los politicamente”.

Em relação a Moraes e ao STF, a orientação era dizer que prisão dos “patriotas” se comparava à prisão dos judeus pelos nazistas. Além disso, era para argumentar que as prisões foram arbitrárias, e as audiências de custódia, feitas em desacordo com a legislação. “Ademais, que não houve individualidade no julgamento dos patriotas para que eles passassem a situação de réus, sendo realizado por lotes de centenas de pessoas.”

Por fim, quando os opositores fossem falar da PF, a estratégia era dizer que a corporação cometeu “abusos” e cumpriu “ordens ilegais” e que não “seguiu o devido processo legal” ao “prender 1,5 mil patriotas”.

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