Homens do Exército escoltaram, na tarde desta terça-feira (25), os generais Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira e o almirante Almir Garnier até o Comando Militar do Planalto, em Brasília, onde ficarão presos por tentativa de golpe de estado. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a execução das penas e a Polícia Federal cumpriu a ordem no começo da tarde.
O Comando Militar do Planalto, localizado no centro da capital, tem estrutura moderna e elevada segurança, típica de instalações militares. É ali que os generais e o almirante devem cumprir suas condenações: Heleno por 21 anos, Paulo Sérgio por 19 e Garnier por 24.
De acordo com relatos da caserna, as celas são simples e austeras, sem luxo, refletindo a disciplina militar tradicional. Já o general Walter Braga Netto, condenado a 26 anos por tentativa de golpe, abolição violenta da ordem democrática e outros crimes, permanecerá em unidade militar no Rio de Janeiro, onde está preso preventivamente desde dezembro do ano passado.
Participação de generais na trama golpista
Um material produzido por Augusto Heleno em um caderno integra o conjunto de evidências apresentadas pela Procuradoria-Geral da República contra o ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).
Embora não contenham data, as anotações registram orientações e mensagens que colocam em dúvida a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro.
Em uma das páginas, intitulada “Reu [reunião] Diretrizes Estratégicas”, aparecem diretrizes como:
– elaborar um mapa das regiões onde o então presidente teria “aliados confiáveis”;
– identificar veículos de imprensa que poderiam ser usados para divulgar ações do governo, com menção ao uso mais frequente da EBC;
– evitar referências depreciativas a grupos como homossexuais e negros e adotar um discurso de exaltação ao “povo brasileiro”;
– manter críticas às urnas eletrônicas e ao processo de votação.
As anotações também incluem referências soltas a um suposto dossiê sobre “o mecanismo das fraudes” e à data “30 out”, alusão ao segundo turno das eleições de 2022.
Segundo a denúncia da PGR, Augusto Heleno teria prestado “auxílio direto” ao então presidente Jair Bolsonaro na difusão de ataques às urnas eletrônicas e no planejamento de uma tentativa de golpe.
De acordo com a acusação, caso a ruptura institucional se consumasse, caberia a Heleno comandar um gabinete de gestão de crise.
A defesa do general, porém, afirma que as provas do processo não demonstram culpa nem sustentam “a hipótese de protagonismo” atribuída a ele. Sobre as anotações apreendidas em sua residência, os advogados afirmam que eram registros pessoais “nunca” compartilhados com terceiros.
Paulo Sérgio
Já Paulo Sérgio, ex-ministro da Defesa, foi acusado de apoiar a narrativa de fraude nas urnas e instigar a intervenção das Forças Armadas. Ele teria endossado a tese em reuniões de 2022 e participado de articulações para sustentar a ruptura democrática. Em gravação obtida pela investigação, disse que via as Forças Armadas e o Ministério da Defesa “na linha de contato com o inimigo” e que era preciso “intensificar a operação”.
Moraes considerou que, embora tenha tentado demover Bolsonaro em alguns momentos, sua participação foi decisiva nas negociações que sustentaram o plano golpista, inclusive na apresentação da chamada “minuta do golpe”.
Almir Garnier
Segundo a PRG, Garnier foi o único dos três comandantes das Forças Armadas que teria aderido ao plano golpista. A acusação sustenta que ele colocou as tropas da Marinha à disposição do então presidente Jair Bolsonaro, reforçando o braço militar da tentativa de ruptura institucional.






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