Gastos de Bolsonaro com lanches no cartão corporativo são alvo de investigações

Os gastos com 21.447 lanches e 5.075 refeições com o cartão corporativo de Jair Bolsonaro (PL) durante campanha eleitoral — revelados mais cedo por uma reportagem do UOL— são alvo de pedidos de investigação no TCU (Tribunal de Contas da União), MPF (Ministério Público Federal) e CGU (Controladoria-Geral da União). Foram pedidas as seguintes apurações:…

Os gastos com 21.447 lanches e 5.075 refeições com o cartão corporativo de Jair Bolsonaro (PL) durante campanha eleitoral — revelados mais cedo por uma reportagem do UOL— são alvo de pedidos de investigação no TCU (Tribunal de Contas da União), MPF (Ministério Público Federal) e CGU (Controladoria-Geral da União).

Foram pedidas as seguintes apurações: que o MPF abra procedimento criminal e de improbidade para apurar desvio de dinheiro e irregularidades; que o Ministério Público no TCU abra investigação sobre possível improbidade administrativa; que a CGU apure responsabilidades funcionais dos servidores do governo federal envolvidos nos pagamentos.

Para o senador Omar Aziz (PSD-AM), presidente da Comissão de Transparência, Governança, Fiscalização e Controle e Defesa do Consumidor do Senado, devolver o dinheiro não é suficiente pois “não inviabiliza o crime cometido. É tipo você entrar numa loja, assaltar e depois devolver. Você vai ser responsável por isso”, afirmou.

Para o ex-presidente da CPI da Covid, a situação configura “abuso de poder econômico” e pode resultar na reprovação das contas eleitorais de Bolsonaro. Se condenado, isso o impediria de concorrer nas eleições de 2026.

Aziz defendeu que o próprio governo federal, o Gabinete de Segurança Institucional e a AGU (Advocacia Geral da União) também abram investigações porque são detentores de todas as informações sobre os gastos do cartão corporativo.

Em viagens eleitorais, o cartão corporativo da Presidência da República pagou por centenas de kits-lanche e refeições destinados a militares e policiais escalados para dar apoio de segurança a motociatas, comícios, festas de peão e cultos religiosos.

Procurados pela reportagem, Bolsonaro e o PL não se manifestaram sobre as despesas. Integrantes da campanha dele afirmam, contudo, que os gastos são legais, pois se referem à segurança presidencial em viagens.

A prática é questionada por especialistas de direito eleitoral e segurança pública ouvidos pela reportagem. Eles afirmam que não cabe ao presidente da República — nem ao candidato — fornecer alimentação a forças de segurança locais escaladas para trabalhar nesses eventos.

Não é a primeira vez que os gastos de Bolsonaro com cartões corporativos viram pedidos de investigação. Em fevereiro, outra reportagem do UOL mostrou que, em atividades eleitorais de Bolsonaro, o governo federal usou o meio de pagamento para arcar com cercadinhos, hospedagem e alimentação. À época, o deputado federal Kim Kataguiri (União-SP) e Humberto Costa pediram investigação ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) com base na reportagem.

Com informações do Uol.

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