A investigação da Polícia Federal sobre a suposta destinação irregular de R$ 119 milhões em emendas parlamentares colocou um nome pouco conhecido dos bastidores políticos no centro das apurações: Garigham Amarante Pinto. Advogado e homem de confiança do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, ele aparece como interlocutor frequente nas conversas analisadas pelos investigadores.
Segundo a decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a operação, Garigham teria desempenhado um papel estratégico na interlocução entre Valdemar e servidores responsáveis pela organização das indicações de emendas parlamentares. A investigação apura possíveis crimes de peculato e associação criminosa.
Homem de confiança de Valdemar
Garigham Amarante ocupa um cargo de natureza especial na Liderança do PL na Câmara dos Deputados e já integrou a diretoria do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) em 2022, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Na época, sua indicação para o FNDE ocorreu por influência de Valdemar Costa Neto. Durante sua passagem pelo órgão, o advogado também foi citado em investigações relacionadas à compra de ônibus escolares com suposto sobrepreço e ao chamado caso dos pastores, que apurava suspeitas de intermediação de verbas do Ministério da Educação.
Ainda segundo as investigações, uma consultoria ligada a Garigham teria recebido pagamentos do próprio PL para prestar serviços relacionados ao FNDE e ao Ministério da Educação enquanto ele exercia função na autarquia.
Mensagens sobre R$ 24 milhões
A decisão judicial reproduz conversas que, segundo a Polícia Federal, demonstram a atuação de Garigham na articulação das demandas atribuídas ao presidente do PL.
Em uma das mensagens, ele informa a Mariângela Fialek que havia marcado uma reunião com Valdemar Costa Neto e afirma:
“Marquei com o Valdemar amanhã, às 10h30.”
Na sequência, acrescenta:
“Acho que ele vai jogar no Turismo os 24. Pode ser?”
A PF entende que a conversa fazia referência à destinação de aproximadamente R$ 24 milhões em emendas para a área de Turismo.
Mariângela responde que verificaria os valores disponíveis. Garigham então orienta:
“Pode colocar o máximo que der. Ele tá querendo Turismos.”
No dia seguinte, ele volta a perguntar:
“Fechou o valor do Pres. Valdemar?”
Após receber a resposta de que seria possível concentrar os recursos em Turismo, conclui:
“24 milhões tá bom.”
Segundo a Polícia Federal, horas depois Garigham encaminhou uma lista contendo municípios, CNPJs e diversas referências à área de Turismo, o que pode indicar os possíveis destinatários das emendas mencionadas na conversa.
Estrutura investigada
De acordo com a investigação, Garigham Amarante seria o principal elo entre Valdemar Costa Neto e Mariângela Fialek, apontada como responsável pela organização e controle das cotas destinadas aos parlamentares.
Outro nome citado é Nara Benedetti Nicolau Brum, que, conforme a PF, teria atuado na operacionalização técnica das demandas, elaborando planilhas, esclarecendo limites regimentais e promovendo ajustes na distribuição das emendas.
Para os investigadores, os três fariam parte de uma estrutura informal responsável por articular decisões políticas, organizar documentos e executar administrativamente as indicações de recursos públicos.
A Polícia Federal sustenta que Mariângela centralizava a distribuição das cotas, enquanto Garigham transmitia orientações atribuídas a Valdemar Costa Neto, incluindo a definição de áreas temáticas, municípios beneficiados e valores destinados às emendas parlamentares.





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