Fundador do WikiLeaks, Julian Assange faz acordo com justiça dos EUA e deixa prisão na Inglaterra (Veja vídeo)

Entre o material vazado, estava um vídeo mostrando soldados norte-americanos matando 18 civis de um helicóptero no Iraque. Outros documentos revelavam assassinatos de civis e abusos de autoridades dos EUA

O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, chegou a um acordo com a Justiça dos Estados Unidos nesta segunda-feira (24) para se declarar culpado em acusações de espionagem, segundo informaram promotores em documentos judiciais. Após semanas de negociações, Assange vai se declarar culpado nesta semana por violar a lei de espionagem dos EUA. O acordo permitiu sua libertação da prisão no Reino Unido e seu retorno à Austrália, seu país de origem.

Segundo informações do próprio WikiLeaks no X, Assange já deixou a prisão: “Este é o resultado de uma campanha global que envolveu trabalho de base, defensores da liberdade de imprensa, legisladores e líderes de todo o espectro político, até as Nações Unidas”, diz a publicação. “Agradecemos a todos que estiveram ao nosso lado, lutaram por nós e permaneceram totalmente comprometidos na luta pela sua liberdade. A liberdade de Julian é a nossa liberdade”.

Assange assumirá a acusação criminal de conspiração para obter e divulgar documentos classificados de defesa nacional dos EUA, conforme registrado no Tribunal Distrital dos EUA para as Ilhas Marianas do Norte. Os Estados Unidos querem julgar Assange pelo vazamento de 700 mil documentos confidenciais desde 2010, que detalhavam atividades militares e diplomáticas americanas, especialmente no Iraque e Afeganistão. Se extraditado para os EUA, ele poderia ser condenado a 175 anos de prisão.

Entre os materiais vazados por Assange, estava um vídeo mostrando soldados norte-americanos matando 18 civis de um helicóptero no Iraque. Outros documentos revelavam assassinatos de civis, incluindo jornalistas, e abusos cometidos por autoridades dos EUA e de outros países. Oficiais norte-americanos afirmaram que o vazamento colocou vidas em risco ao expor identidades de pessoas que cooperavam com os militares no Oriente Médio.

Em 2019, o Departamento de Justiça dos EUA descreveu os vazamentos do WikiLeaks como “um dos maiores vazamentos de informações confidenciais na história dos Estados Unidos”. O advogado de Assange, Edward Fitzgerald, argumentou no tribunal que seu cliente estava sendo processado por realizar uma prática jornalística comum de obter e publicar informações confidenciais, verdadeiras e de interesse público evidente. Por outro lado, Clair Dobbin, advogada que representa os EUA, afirmou que Assange publicou nomes de pessoas que atuaram como fontes de informação para os Estados Unidos.

Em janeiro de 2021, um tribunal britânico inicialmente rejeitou o pedido de extradição para os Estados Unidos. No entanto, uma apelação americana levou a Justiça britânica a anular essa decisão em dezembro de 2021, abrindo caminho para a extradição.

No início de 2022, os EUA tiveram um novo pedido de extradição negado pela justiça do Reino Unido, que alegou haver risco de Assange cometer suicídio. Em maio, o Tribunal Superior de Justiça de Londres autorizou Assange a apresentar recurso contra o pedido de extradição, sua última chance de evitar ser enviado para os EUA.

Assange estava preso na Inglaterra desde 2019, após passar sete anos confinado na embaixada do Equador em Londres, onde buscou refúgio para evitar a extradição por acusações de agressão sexual na Suécia, que posteriormente foram retiradas.

 Antes do julgamento, sua esposa, Stella Assange, alertou sobre seu estado de saúde frágil. “A saúde dele está piorando, física e mentalmente. A vida dele corre perigo a cada dia que permanece na prisão e, se for extraditado, ele vai morrer”, afirmou ela no final de maio.

Com informações do G1.

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