Fraude com carne contaminada: polícia rastreia apenas 17 das 800 toneladas

Empresa de Três Rios maquiava produtos afetados por enchentes no Sul para revenda no país

A polícia do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul conseguiu rastrear apenas 17 das 800 toneladas de carne contaminada que foram vendidas como próprias para consumo humano após as enchentes no Sul do país. Uma operação conjunta das delegacias de Defesa do Consumidor prendeu, em Três Rios (RJ), dois sócios e dois funcionários da empresa Tem Di Tudo Salvados e Distribuidora (foto), responsável por adquirir as carnes de um frigorífico de Canoas (RS) por apenas R$ 0,90 o quilo. A carga foi “maquiada” para remover sujeira e sinais de contaminação antes da revenda.

De acordo com as investigações, a empresa faturou cerca de R$ 5 milhões com a fraude, vendendo carne bovina, frangos e suínos em mercados e açougues de diversos estados. Apenas 17 toneladas foram localizadas: 15 delas em Minas Gerais, e outras 2 destruídas durante a operação. Um pacote de picanha contaminada chegou a ser encontrado à venda na sede da distribuidora.

Além das irregularidades com carne, a operação descobriu medicamentos e testes de Covid-19 vencidos no local, ampliando a suspeita de que a empresa também distribuía outros produtos impróprios para uso. Segundo a polícia, qualquer mercadoria exposta a acidentes, como enchentes, deve ser descartada, mas a Tem Di Tudo ignorou as normas sanitárias e revendia os produtos.

A fraude começou a ser descoberta quando lotes vendidos para uma distribuidora de Betim (MG) foram rastreados até um frigorífico de Cachoeirinha (RS), que denunciou o caso às autoridades. Segundo o delegado Cassiano Cabral, parte da mercadoria já havia sido comercializada antes da descoberta.

Os presos, identificados como os irmãos Almir e Altamir Jorge Luís da Silva, o gerente José Luís Dias da Silva e o diretor de logística Ciro José Marinho, responderão por associação criminosa, receptação, adulteração de produtos e corrupção de alimentos. A polícia ainda avalia a inclusão do crime de lavagem de dinheiro na denúncia. A prefeitura de Três Rios informou que tomará medidas após o laudo policial.

Com informações de O Globo

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