Francisco Cuoco, ícone da teledramaturgia brasileira, com mais de 50 novelas no currículo e uma carreira que atravessou gerações, consagrou-se como um dos principais galãs da TV Globo, onde brilhou desde os anos 1970 até suas últimas participações especiais nos anos 2020. Versátil e carismático, foi protagonista de histórias que marcaram época e ajudaram a moldar a identidade da telenovela brasileira.
Entre seus papéis mais emblemáticos está Cristiano Vilhena, de Selva de pedra (1972), trama em que interpretou um homem acusado injustamente de um crime, que foge para o Rio de Janeiro com sua amada Simone (Regina Duarte), vive uma série de desencontros e reencontros e termina a história ao lado dela. A novela, escrita por Janete Clair, foi um fenômeno de audiência.
No ano seguinte, em O Semideus (1973), Cuoco viveu Alex Garcia, um jornalista que investiga o desaparecimento de um poderoso industrial (Tarcísio Meira). A história, também de Janete Clair, sofreu censura da ditadura militar e teve sua sinopse original alterada. Mesmo assim, tornou-se um clássico da época.
Um de seus personagens mais inesquecíveis foi Herculano Quintanilha, em O Astro (1977). O papel do vidente charmoso e enigmático que conquistava a alta sociedade com seus truques e intuições rendeu enorme popularidade ao ator. A novela foi tão marcante que ganhou um remake em 2011, com Rodrigo Lombardi no papel principal e o próprio Cuoco interpretando Ferragus, mentor de Herculano.
Já em O Outro (1987), Cuoco enfrentou o desafio de interpretar dois personagens: Paulo Della Santa, um empresário melancólico, e Denizard de Mattos, um homem simples que ganha a vida com um ferro-velho. A trama explorava temas como identidade, duplicidade e classes sociais, num dos trabalhos mais complexos do ator.
No cinema, Cuoco também deixou sua marca. Em Gêmeas (1999), contracenou com Fernanda Torres e Matheus Nachtergaele ao interpretar Dr. Jorge, pai das protagonistas que se aproveitavam da semelhança física para enganar os homens.
Outro papel de destaque, desta vez mais leve, foi Pai Gaudêncio, em Da cor do pecado (2004). Na comédia romântica de João Emanuel Carneiro, ele era um pai de santo verdadeiro, que orientava o hilário Pai Helinho (Matheus Nachtergaele), um farsante.
Sua última aparição em novelas foi em 2020, quando interpretou a si mesmo em Salve-se quem puder, numa participação especial.
Francisco Cuoco não foi apenas um ator prolífico, mas um símbolo de elegância e presença cênica que atravessou a história da televisão brasileira. Seu rosto e sua voz fizeram parte do cotidiano de milhões de brasileiros por décadas, e seu legado permanece nas reprises, nos arquivos da dramaturgia e na memória afetiva do público.





