Pouca gente se sentiu atraida a participar dos atos públicos a favor de Bolsonaro e contra o STF e as urnas eletrônicas em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Brasília, ontem. Também foi pequeno o público que esteve nas manifestações de apoio a Lula, organizadas por centrais sindicais.
Se a palavra fracasso precisa ser aplicada a esta carência de povo, deve servir para os dois lados do espectro ideológico.
Coordenadores de candidatos, tanto quanto analistas de marketing eleitoral estão se perguntando o motivo pelo qual, neste momento de deflagração oficial das campanhas, a população parece estar desmobilizada.
Quando muito, os brasileiros contultados respondem às pesquisas de opinião, que revelam até aqui uma vantagem persistente de Lula, um crescimento visível mas insuficiente de Bolsonaro, e uma situação de virtual de inviabilidade de uma terceira via.
E talvez este seja um dos motivos da desmobilização: a campanha está cristalizada em torno de dois candidatos e uma terceira hipótese se tornou rigorosamente improvável.
O segundo motivo, claro, é a incompetência dos candidatos, dos partidos e de seus estrategistas de campanha. Afinal, cabe a eles, e a mais ninguém, criar motivos para que seus eleitores ou, pelo menos, seus militantes, saiam às ruas.
Nenhum candidato conseguiu isto, até agora. Contam, possivelmente, com a ideia de que, em breve, o debate eleitoral criará engajamento popular e a campanha vai esquentar.
Isto não chegou a ser flagrante em 2018, quando a campanha à presidência não foi marcada por grandes comicios ou mobilizações de rua.
A direita se aproveitou disso: fugiu dos debates e concentrou sua busca de convencimento da população nas redes sociais e, sobretudo, nas fake news disparadas massivamente.
A esquerda, abalada pela prisão ilegal de seu candidato natural, não soube usar as redes sociais com eficiência. E não faz parecer que tenha aprendido para a eleição que vem por aí.






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