Fogo amigo: Secretário de Educação vira alvo de críticas de vereador do PSD, com munição para oposição

Marcelo Diniz, do partido do prefeito, acusou Renan Ferreirinha de fazer politicagem com obras do PAC na Rocinha. Outros parlamentares também subiram o tom contra a gestão da Educação

O plenário da Câmara do Rio registrou mais uma discussão acalorada na volta do recesso nesta terça-feira (5), com a Secretaria Municipal de Educação no centro das críticas. O secretário Renan Ferreirinha foi alvo de parlamentares da oposição e da base governista — inclusive do próprio partido do prefeito Eduardo Paes (PSD).

O vereador Marcelo Diniz (PSD) não economizou nas palavras e criticou duramente a atuação de Ferreirinha. Ele acusou o secretário de anunciar obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) sem ter relação com o tema e sem que o próprio prefeito tivesse feito qualquer anúncio oficial das obras.

“Já tem secretário da Prefeitura, que não tem nada a ver com infraestrutura e habitação, anunciando que está levando obra para a Rocinha, por exemplo. É um absurdo”, disse. Para Diniz, os recursos negociados com o Governo Federal só poderão ser executados com aprovação da Câmara. “Quem vai viabilizar somos nós, vereadores. Se não viabilizarmos, não tem obra nenhuma”, pontuou.

O parlamentar ainda fez denúncias de aparelhamento da pasta, falta de vagas em creches e escolas e ausência de mediadores escolares. “Secretário está dando uma de maluco e enganando o povo. Já não bota mediador para cuidar das nossas crianças autistas e agora, em meio ao escândalo de vagas de terceirizados, o cara falando de PAC da Rocinha”, disparou. 

A fala gerou reação imediata dentro da própria legenda. Márcio Ribeiro (PSD), líder do governo na Câmara, elogiou o trabalho de Ferreirinha e defendeu os avanços na Educação. “A gente avança muito, cada vez mais acabando com a evasão escolar, aumentando as vagas em creches, cada vez mais trazendo a oportunidade de crianças e adolescentes terem estudo de qualidade”, afirmou.

Outro nome da base, Salvino Oliveira (PSD) — que em breve deixará a cadeira na Cinelândia para o suplente Donato para assumir a Secretaria municipal da Juventude — também saiu em defesa da gestão e criticou o que classificou como ataques ao prefeito. “Não podem negar a capacidade de melhora da cidade que o prefeito causou. O prefeito apresentou pro Legislativo um pacote de leis para que o PAC aconteça nas comunidades da Rocinha, Acari e Complexo do Alemão. É quase R$1 bilhão que vai trazer dignidade para quem mais precisa”, afirmou. 

Críticas vieram de diferentes direções

Ainda durante a sessão, Willian Coelho (DC) relatou denúncias que o envolviam diretamente. Segundo o vereador, há quem o acuse de demitir trabalhadores terceirizados da Educação para nomear aliados, o que ele nega. “Quero dizer que isso é um ato covarde. São trabalhadores que estão há anos nas escolas. Alunos já estão acostumados com quem está com eles no dia a dia”, disse. Ele cobrou mais responsabilidade da pasta: “Nosso secretário lava as mãos para as irregularidades que acontecem na Secretaria dele”.

William Siri (PSOL) também teceu críticas à terceirização de serviços na rede municipal de ensino e pediu a convocação dos aprovados no concurso para professores adjuntos da Educação Infantil (PAEI), cuja vigência termina em outubro. “A lógica da terceirização está acabando com a educação pública. Não podemos permitir usar a máquina pública para fazer curral eleitoral dentro do ensino”, afirmou.

O psolista relatou o caso de uma funcionária terceirizada que perdeu o posto em uma escola e, segundo ele, com a contratação de servidores temporários na Educação, só seria recontratada com apoio político. “Essa farra tem que acabar. Não podemos retroceder. A Secretaria de Educação representa quase 25% do orçamento da cidade. Imagina a quantidade de curral eleitoral que isso pode gerar”, finalizou.

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