O senador Flávio Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira (14) que os recursos obtidos junto ao banqueiro Daniel Vorcaro foram utilizados exclusivamente para financiar o filme “Dark Horse”, produção cinematográfica sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Em entrevista à GloboNews, o parlamentar negou que os valores tenham beneficiado o deputado cassado Eduardo Bolsonaro.
Segundo Flávio, os recursos foram direcionados para o Havengate Development Fund LP, fundo sediado no Texas, nos Estados Unidos, e ligado à produção do longa-metragem. O senador afirmou que todo o dinheiro aportado foi aplicado diretamente na realização do projeto audiovisual.
” Todos os recursos aportados nesse fundo, específico para produção do filme, foram integralmente utilizados para fazer o filme”, revelou.
O caso ganhou repercussão após a divulgação de mensagens e áudios entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, revelados inicialmente pelo Intercept Brasil. As conversas mostram o senador cobrando pagamentos relacionados ao financiamento do filme.
Investigação da PF
A linha de investigação da Polícia Federal busca esclarecer se os recursos enviados por Vorcaro realmente financiaram a produção cinematográfica ou se o projeto teria sido usado apenas como justificativa para a remessa do dinheiro.
Durante a entrevista, Flávio afirmou que o fundo citado possuía uma estrutura jurídica vinculada a um advogado de confiança de Eduardo Bolsonaro, responsável também por questões relacionadas ao processo de green card do ex-deputado nos Estados Unidos.
Segundo documentos registrados nos EUA, o escritório do advogado aparece como agente legal do fundo mencionado pelo senador.
Eduardo Bolsonaro se mudou para os Estados Unidos no início do ano passado. Atualmente, ele responde a um processo no Supremo Tribunal Federal sob acusação de buscar sanções econômicas contra o Brasil e ministros da Corte em meio às investigações sobre a tentativa de golpe de Estado.
Mensagens e áudio revelados
As mensagens divulgadas mostram Flávio Bolsonaro cobrando o pagamento de parcelas destinadas ao filme “Dark Horse”, que deve retratar a trajetória política de Jair Bolsonaro antes das eleições de outubro.
Em uma das gravações divulgadas, o senador afirma que o projeto enfrentava um momento decisivo e demonstra preocupação com atrasos financeiros. Segundo ele, havia receio de que os problemas de pagamento provocassem um efeito contrário ao esperado para o longa.
Flávio também declarou que deixou de procurar Daniel Vorcaro quando percebeu que o banqueiro não conseguiria cumprir o contrato firmado para o financiamento do projeto. Segundo o parlamentar, outros investidores passaram então a ser buscados.
O senador afirmou ainda que não tinha conhecimento de irregularidades envolvendo o banqueiro no período em que manteve contato com ele.
Cláusula de confidencialidade
Outro ponto abordado por Flávio Bolsonaro foi o motivo de nunca ter falado publicamente sobre a relação com Daniel Vorcaro antes do vazamento das mensagens.
Segundo o senador, o contrato de financiamento do filme previa cláusulas de confidencialidade, o que teria impedido manifestações públicas sobre o assunto anteriormente.
A revelação do caso ampliou a pressão política sobre o PL e sobre aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro em meio às articulações para a eleição presidencial de 2026.
Ciro Nogueira na mira
Durante a entrevista, Flávio Bolsonaro também comentou a operação da Polícia Federal que atingiu o senador Ciro Nogueira.
Segundo a investigação, mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro tratariam de pagamentos destinados a uma estrutura supostamente ligada ao parlamentar do PP. A defesa de Ciro nega irregularidades.
Flávio afirmou que não teria relação com o caso e disse que citou o nome de Ciro Nogueira anteriormente apenas como um gesto político ao presidente de um partido importante no cenário nacional.






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