Filhos de famílias que estão entre os 25% mais pobres do Brasil enfrentam uma barreira muito maior para chegar ao diploma universitário. Segundo o Atlas da Mobilidade Social, apenas 1,58% consegue concluir o ensino superior, enquanto a taxa chega a 37,77% entre os jovens das famílias mais ricas.
Origem familiar pesa no acesso ao diploma
Apesar da expansão do acesso ao ensino superior nas últimas décadas, os dados mostram que a condição econômica da família de origem continua sendo determinante para quem consegue concluir uma graduação no Brasil.
Entre os filhos dos 25% mais pobres da população, somente 1,58% chega ao fim de um curso superior. Na classe média, a probabilidade sobe para 4,17%. Já entre os jovens que pertencem ao quarto mais rico da população, a chance alcança 37,77%.
A diferença significa que os filhos das famílias mais ricas têm quase 24 vezes mais possibilidades de concluir o ensino superior do que aqueles que nasceram nos lares mais pobres.
Desigualdade começa antes da universidade
O levantamento também aponta que as diferenças educacionais surgem ainda durante a educação básica. Entre os filhos dos 25% mais pobres, 47,05% concluem o ensino médio.
Na classe média, o percentual chega a 59,54%. Entre os jovens das famílias mais ricas, a taxa alcança 90,73%, evidenciando como a desigualdade de origem interfere no percurso escolar muito antes da chegada ao ensino superior.
Para Fernando Veloso, diretor de pesquisa do Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (IMDS), a baixa probabilidade de conclusão da universidade entre os mais pobres representa um obstáculo significativo para a mobilidade social.
Segundo o pesquisador, o diploma amplia o acesso a empregos com salários mais elevados e a melhores oportunidades de crescimento profissional, especialmente diante das transformações provocadas pelo avanço de novas tecnologias, como a inteligência artificial.
Educação aparece como fator de mobilidade
A nova versão do Atlas da Mobilidade Social, desenvolvida pelo IMDS em parceria com o Prospera Lab, passou a reunir também novos indicadores socioeconômicos dos municípios brasileiros, incluindo informações relacionadas à escolaridade.
Os pesquisadores apontam a educação como o principal fator associado à mobilidade social. O levantamento mostra ainda que nenhum município brasileiro supera 68,6% da população com o ensino fundamental completo ou mais de 54,7% com o ensino médio concluído.
No ensino superior, a proporção de moradores com diploma universitário não chega a 25% em nenhuma cidade do país, segundo os dados analisados pelo estudo.
Quem está entre os mais pobres
Para estabelecer os grupos sociais, o Atlas considera a posição das famílias na distribuição de renda. Entre os 25% mais pobres estavam os domicílios com renda mensal de até R$ 2.183,41.
Já os 25% mais ricos reuniam famílias com rendimentos acima de R$ 7.266,03. A classe média ficou situada entre essas duas faixas de renda. Os valores foram corrigidos para dezembro de 2019 e consideram a soma dos rendimentos de todos os moradores do domicílio.
Estudo acompanha milhões de brasileiros
O Atlas da Mobilidade Social acompanha aproximadamente 7 milhões de brasileiros nascidos entre 1983 e 1990. A pesquisa compara a renda média bruta dos domicílios durante a infância e a adolescência com os resultados econômicos alcançados pelos indivíduos entre os 25 e os 29 anos.
Para construir a análise, os pesquisadores cruzaram informações de diferentes bases de dados, incluindo registros da Receita Federal, da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do Cadastro Único e do Bolsa Família, além de pesquisas domiciliares realizadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Os resultados reforçam que o acesso à educação e a conclusão do ensino superior permanecem profundamente relacionados às condições econômicas da família de origem, influenciando diretamente as possibilidades de ascensão social ao longo da vida.





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