Filha de major da PM é enterrada no Rio; polícia investiga homicídio ligado a ferro-velho

Jovem de 22 anos foi espancada e abandonada em UPA de Realengo; pai contesta versão do crime e cobra prisões

Familiares, amigos e colegas de farda do major da Polícia Militar Neyfson Borges se reuniram, na tarde desta quarta-feira (7), no Cemitério Jardim da Saudade, na Zona Oeste do Rio, para o sepultamento de Naysa Kayllany da Costa Borges Nogueira, de 22 anos. A jovem morreu após ser brutalmente agredida e abandonada na porta da UPA Jardim Novo, em Realengo, no último domingo (4).

O velório teve início às 13h, seguido de missa de corpo presente às 15h. O cortejo ocorreu às 16h, sob forte comoção. Ao final do sepultamento, o major fez um desabafo emocionado e contestou a principal linha de investigação da Polícia Civil.

Minha filha não teve como se defender. Foi julgada e punida, mas não pela Justiça do Estado. Agora é fácil colocar a culpa em quem não pode falar”, afirmou Neyfson Borges.

Investigação aponta possível ligação com ferro-velho e tráfico

A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) apura o caso e trabalha com a hipótese de que Naysa tenha sido assassinada por traficantes do Complexo do Jardim Novo, área dominada pela facção Amigo dos Amigos (ADA). Segundo as investigações, a jovem trabalhava em um ferro-velho em Realengo que seria usado como fonte de renda do tráfico de drogas.

A principal linha de apuração indica que Naysa teria sido acusada de desviar dinheiro da atividade criminosa, o que pode ter motivado as agressões. No dia do crime, ela estava acompanhada de duas amigas, que também teriam sido espancadas, mas sobreviveram. O corpo da jovem apresentava marcas de violência.

O major questionou o fato de o estabelecimento continuar funcionando. “Por que o ferro-velho ainda está aberto? Por que o dono não foi preso? Querem responsabilizar minha filha, que não pode se defender”, disse, ressaltando confiar na atuação da DHC para identificar e prender os responsáveis.

“Ela trabalhou porque era honesta”, diz pai

Neyfson contou que soube da morte da filha quando retornava de uma viagem a Minas Gerais e afirmou não saber que ela trabalhava no ferro-velho. Segundo ele, Naysa não enfrentava dificuldades financeiras.

Ela não precisava disso. Eu sempre a ajudei, pagava pensão, deixei uma casa. Ela escolheu trabalhar porque era honesta”, afirmou. De acordo com a família, a jovem cumpria jornada das 19h às 6h.

Naysa era estudante de Psicologia e apaixonada pelo Flamengo. Muito emocionado, João Ricardo, pai da madrasta da jovem e considerado por ela como um avô, descreveu-a como “a princesinha da família”.

Era uma menina de alegria, carinho, incapaz de fazer algo errado. Vai deixar muitas saudades. Veio para brilhar no nosso meio”, disse. Ele também destacou o sofrimento dos irmãos mais novos, que sentem intensamente a ausência da jovem.

Despedida marcada por dor e homenagens

Horas antes do velório, o major publicou uma mensagem nas redes sociais lamentando não ter conseguido salvar a filha. “Hoje eu simplesmente não queria acordar. Não faz ideia da dor de não ter conseguido salvar você, minha branca. Você foi a melhor filha”, escreveu.

A DHC segue com as investigações para esclarecer as circunstâncias do crime e identificar todos os envolvidos.

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