Família de Peixão detida a caminho da Bolívia disse que iria ‘passear’ no Pantanal

Polícia suspeita que traficante, chefe do Terceiro Comando Puro, tentava deixar o país

A mulher, os três filhos e o sobrinho de Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, afirmaram em depoimento que viajavam para passear em Corumbá, no Pantanal de Mato Grosso do Sul. A cidade faz divisa com a Bolívia.

Eles foram ouvidos e liberados pela Polícia Federal nesta segunda-feira (8), após serem detidos quando seguiam em direção à fronteira.

A abordagem ocorreu na BR-262, em Campo Grande (MS), depois que a Polícia Civil do Rio repassou informações de que Peixão, chefe do Terceiro Comando Puro (TCP) e um dos criminosos mais procurados do país, poderia estar entre os passageiros.

“Quando percebemos que o carro onde eles estavam passou a se movimentar acionamos a PRF para realizar a abordagem porque havia grande possibilidade de o Peixão estar no veículo. A investigação continua”, disse o Secretário Estado de Polícia Civil, delegado Felipe Curi.

O traficante não estava nos veículos. Durante a revista, porém, agentes encontraram joias com inscrições diretamente associadas a ele, cuja propriedade foi assumida pelo sobrinho.

Joias encontradas dentro do carro | Divulgação

Todos foram detidos inicialmente sob suspeita de lavagem de dinheiro, ocultação de bens e participação no financiamento de organização criminosa, e o caso foi encaminhado à PF em Mato Grosso do Sul.

Quem é Peixão?

Alçado ao topo do Terceiro Comando Puro (TCP), Álvaro Malaquias Santa Rosa, mais conhecido como Peixão, é hoje uma das figuras mais temidas e procuradas do submundo do Rio de Janeiro. Mesmo sem jamais ter sido capturado, sua presença se impõe por meio da violência, da fé distorcida e do controle absoluto sobre áreas inteiras da Zona Norte da capital.

Há mais de uma década na mira das forças de segurança — Polícia Civil, Militar e Federal —, Peixão construiu um império criminal a partir de estratégias agressivas, expulsando o Comando Vermelho (CV) de territórios chave. Essa campanha resultou no que ficou conhecido como o Complexo de Israel, um conglomerado de favelas formado por Vigário Geral, Parada de Lucas, Cidade Alta, Pica-Pau e Cinco Bocas, onde símbolos como a Estrela de Davi e a bandeira de Israel passaram a decorar vielas e muros.

A ficha criminal de Peixão é extensa. Ele acumula cerca de 50 ocorrências e responde por aproximadamente 20 mandados de prisão — por crimes que incluem tráfico de drogas, homicídio, ocultação de cadáver, tortura e assaltos. Nos últimos meses, passou também a ser investigado por suspeitas de terrorismo.

O líder do TCP também é acusado de praticar atos de intolerância religiosa nas comunidades sob seu domínio. Relatos apontam que ele teria ordenado a destruição de terreiros, proibido moradores de usar roupas brancas e vetado celebrações juninas em igrejas católicas da região.

Peixão comanda um aparato bélico de alto calibre. Segundo investigações recentes da Polícia Federal, o grupo sob seu comando tem acesso a fuzis, explosivos, munições em larga escala e até sistemas anti-drone. Grande parte desse arsenal estaria sendo importado do exterior ilegalmente e entregue por empresas de transporte convencionais e pelos Correios.

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