Uma falha no sistema de detecção de fumaça da loja Bell’Art, no subsolo do Shopping Tijuca, pode ter sido determinante para a tragédia que terminou com a morte de dois bombeiros civis durante um incêndio ocorrido no dia 2 de janeiro, na Zona Norte do Rio. A informação foi confirmada por integrantes da brigada de incêndio em depoimentos prestados à Polícia Civil, que investiga as circunstâncias do caso.
De acordo com o advogado Alexandre Lopes, representante da empresa CM Couto — responsável pela brigada terceirizada do shopping —, o alarme da loja não foi acionado no momento inicial do fogo, o que atrasou a resposta emergencial e agravou o cenário encontrado pelos brigadistas.
“No dia do incêndio, o equipamento de alarme da loja não funcionou. Quando a brigada chegou, o fogo já não podia mais ser combatido com extintores, apenas com mangueiras, o que leva mais tempo. O ambiente já estava tomado por fumaça”, afirmou o advogado.
Brigadista morreu após acabar oxigênio do equipamento
Em depoimento à 19ª DP (Tijuca), o diretor de operações da brigada, Jorge Benedito de Oliveira, declarou acreditar que a bombeira civil Emellyn Silva Aguiar morreu por asfixia, após o oxigênio do equipamento de proteção se esgotar. Segundo ele, a vítima teria retirado a máscara e acabou inalando grande quantidade de fumaça. O corpo só foi localizado horas depois, devido à baixa visibilidade no local.As investigações ainda não conseguiram determinar quanto tempo demorou para que o Corpo de Bombeiros fosse acionado. Segundo a defesa da CM Couto, a responsabilidade pelo chamado é da administração do Shopping Tijuca.
Polícia analisa imagens e apura evacuação do shopping
A Polícia Civil já recebeu imagens das câmeras de segurança que registraram o início do incêndio e o combate feito por funcionários do centro comercial. O material está sendo analisado por agentes da 19ª DP, que também apuram a dinâmica da evacuação do shopping no momento do fogo.
A delegada responsável pelo caso, Maíra Rodrigues, pretende ouvir testemunhas que estavam no local para esclarecer onde elas se encontravam e como ocorreu a retirada do público. Também serão colhidos depoimentos do superintendente do shopping e dos responsáveis pela loja Bell’Art, apontada como foco inicial do incêndio.
Loja já havia apresentado problemas em vistoria
A empresa CM Couto informou que foi responsável por uma vistoria técnica anterior que identificou problemas estruturais na loja Bell’Art, localizada no subsolo do shopping, onde o incêndio começou.
O depoimento do chefe da brigada foi prestado nesta segunda-feira (12). Inicialmente, a oitiva estava marcada para a semana passada, mas foi remarcada após advogados do shopping alegarem falta de acesso aos autos.
Shopping segue fechado e prepara reabertura
Dez dias após o incêndio, o Shopping Tijuca segue fechado ao público. No último sábado (10), parte dos lojistas recebeu autorização para acessar lojas e quiosques com o objetivo de realizar limpeza, organização e reposição de estoques.
Em nota, a administração informou que o centro comercial trabalha para obter a liberação e reabrir nos próximos dias, mas ainda sem data definida. Apesar da liberação parcial, o subsolo e parte do primeiro piso, onde ficam 14 lojas, permanecem interditados pela Defesa Civil.
“As áreas comuns já foram higienizadas e todos os sistemas e instalações foram revisados. O subsolo e parte do L1 continuam isolados. O shopping segue colaborando com as autoridades”, informou a direção.
O incêndio deixou dois mortos e três feridos e segue sob investigação da Polícia Civil.






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