Durante o fim de semana da Cúpula do Brics, realizada no Rio de Janeiro, a Força Aérea Brasileira (FAB) interceptou três aeronaves que violaram o espaço aéreo restrito estabelecido especialmente para o evento. As interceptações ocorreram no sábado (5) e no domingo (6) e foram confirmadas pelo tenente-coronel Deoclides Fernandes, comandante do Centro de Gerenciamento de Navegação Aérea (CGNA).
As aeronaves foram abordadas por caças A-29 Super Tucano, utilizados em operações de defesa aérea desde 2004. Segundo o comandante, os aviões ingressaram em áreas de exclusão criadas para garantir a segurança da reunião de chefes de Estado, mas obedeceram às orientações de retirada após a abordagem.
“Elas foram orientadas a sair das áreas de exclusão e obedeceram a ordem. Os caças atuaram no sentido de acompanhar essas aeronaves”, afirmou Fernandes. O oficial explicou ainda que os voos pertenciam à aviação geral e que a invasão ocorreu, possivelmente, por inobservância das regras temporárias. “Isso está sendo investigado, e escoltamos no sentido que saíssem das áreas previstas”, acrescentou.
Para reforçar a segurança durante o evento, a FAB ampliou a vigilância aérea com um esquema semelhante ao adotado na Cúpula do G20, realizada em 2024. Entre os recursos mobilizados estão os caças F-5M armados com mísseis reais, o que representa uma novidade no atual protocolo de defesa.
De acordo com o tenente-brigadeiro do Ar Alcides Teixeira Barbacovi, comandante de Operações Aeroespaciais, o uso de armamento real tem como objetivo agilizar a resposta em caso de ameaça iminente. “A medida visa reduzir o tempo de reação em caso de eventual ataque”, declarou.
O Comando de Operações Aeroespaciais (COMAE) delimitou três áreas com diferentes níveis de restrição no entorno do Museu de Arte Moderna (MAM), onde ocorrem as reuniões da cúpula. As zonas foram ativadas uma hora antes dos encontros e permanecerão em vigor até uma hora após o encerramento das atividades.
A zona mais ampla, com raio de 150 km, proíbe voos de instrução, turismo, acrobacias, pulverização agrícola e o uso de drones e parapentes. Uma segunda área, com raio de 10 km, só permite operações de aeronaves ligadas diretamente ao evento. Já a terceira zona, localizada entre o MAM e o Aeroporto do Galeão, mede 1.350 por 955 metros e está reservada exclusivamente para o helicóptero de resgate da FAB.
O reforço nas medidas de segurança aérea reflete o elevado grau de atenção em torno da cúpula, que reúne líderes de países que representam uma parcela significativa do PIB e da população mundial.





