Expressão mais que perfeita do voto útil, Chico Buarque anuncia apoio a políticos do PSOL, como Boulos e Talíria, mas ‘ignora’ Tarcísio no Rio

Cantor possui relação de amizade de longa data com o presidente Lula

Chico Buarque, que sempre protagonizou pedidos de votos para campanhas eleitorais de esquerda, especialmente para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), anunciou este ano apoio às candidaturas de Guilherme Boulos (PSOL) e Talíria Petrone (PSOL) às prefeituras de São Paulo (SP) e Niterói (RJ), respectivamente. Os candidatos compartilharam vídeos gravados pelo artista em suas redes sociais.

Na cidade do Rio, Chico já se engajou em duas candidaturas ao cargo de vereador: Maíra do MST (PT) e Emanuel Alencar (PSOL). Até o momento, no entanto, o músico não se manifestou sobre qual candidato irá apoiar na disputa à prefeitura carioca. A equipe de Tarcísio Motta (PSOL) confirmou ao GLOBO que nenhum vídeo foi gravado até o momento em apoio ao candidato.

Procurada pelo GLOBO, a assessoria de Chico Buarque informou que o cantor gravou vídeos para inúmeros candidatos, todos de esquerda. O artista, no entanto, preferiu não se manifestar em relação à prefeitura do Rio.

Na capital fluminense, o músico, que completou 80 anos em junho, tem histórico de envolvimento em candidaturas do PSOL e do PT. Em 2012, o músico gravou vídeo em apoio a Marcelo Freixo, então do PSOL, em disputa contra Eduardo Paes (à época PMDB), que acabou eleito. Ele voltou a apoiar Freixo em 2016, em pleito vencido por Crivella (PRB). Benedita da Silva (PT) foi a candidata apoiada por Chico em 2020 na corrida à prefeitura do Rio.

Ao contrário do que se vê em São Paulo, onde o PT integra a campanha de Boulos com a participação da candidata a vice-prefeita Marta Suplicy, a atual disputa municipal do Rio conta com PSOL e PT em lados opostos, com Lula sendo importante cabo eleitoral de Paes em sua tentativa de reeleição. Situação parecida ocorre em Niterói, onde o PT declarou apoio a Rodrigo Neves (PDT).

Maíra do MST que, com 29 anos, participa pela primeira vez de uma eleição, compartilhou vídeo com o apoio de Chico. Mesmo sendo estreante no pleito, a petista, que já recebe a benção do presidente Lula e do presidente da Embratur, Marcelo Freixo, também é contemplada pelo apoio da classe artística. Outras figuras do meio, como Bela Gil, o ator Paulo Betti e a atriz Cristina Pereira também se juntaram em apoio à candidata.https://www.instagram.com/p/DAUU-G9JT6z/embed/?cr=1&v=12

Chico tem uma trajetória como aliado do Movimento Sem Terra (MST), no qual Maíra é militante. No dia 5 de junho deste ano, o cantor apareceu segurando uma bandeira do MST em um protesto em Paris contra o avanço da extrema-direita na França.

Além de Maíra, Chico apareceu no Instagram de Boulos, no dia 4 de setembro, para pedir voto ao candidato: “Boulos prefeito representa a esperança, o respeito por São Paulo e o respeito pelo Brasil!”, enfatizou o cantor. Outros artistas também se juntaram a Boulos, como a atriz Malu Mader e o cantor Emicida.

Chico Buarque possui longa relação com candidaturas de esquerda, em especial com o PT, partido do qual seu pai, o sociólogo Sérgio Buarque de Hollanda, foi um dos fundadores, em 1980. O artista desenvolveu uma amizade histórica com Lula. Os dois se conheceram quando o político ainda era um líder sindical, em São José dos Campos. O hoje presidente foi ao encontro do músico para pedir para que ele realizasse um show em apoio ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Chegando lá, Lula acabou sem jeito de pedir o favor. A timidez momentânea acabou resultando em amizade. Acostumado a receber pedidos de favores de autoridades, Chico ficou feliz ao encontrar um líder de trabalhadores que não queria nada em troca.

Desde então, Chico se dedicou ativamente às candidaturas do amigo, apoiando-o nas derrotas nas eleições de 1989, 1994 e 1998, e nas vitórias em 2002, 2006 e 2022. O músico também apoiou Dilma Rousseff em 2010 e 2014, além de Fernando Haddad em 2018.

Ao lado de nomes com Gilberto Gil e Djavan, Chico foi um dos “protagonistas” do clássico jingle “Lula lá” (da letra “brilha uma estrela”), realizado originalmente em 1989 e recriado em eleições futuras, incluindo 2022.

Antes mesmo da amizade com Lula, Chico já era visto como importante nome da esquerda no país ao se tornar símbolo da luta contra a censura e a repressão durante a ditadura militar.

Em 1968, o artista teve a sua presença na Passeata dos Cem Mil alardeada pela imprensa e ainda viu sua peça “Roda viva”, montada por José Celso Martinez Corrêa, ter sua apresentação no Teatro Ruth Escobar, em São Paulo, invadida por 20 elementos do grupo Comando de Caça aos Comunistas (CCC). Armados com cassetetes e socos-inglêses, eles agrediram o elenco e quebraram todo o cenário.

Com informações de O Globo

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