O julgamento do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no caso relacionado à Fundação Ceperj, tem ampliado a movimentação política nos bastidores da Assembleia Legislativa (Alerj).
Marcada para o próximo dia 24, a análise do processo gera expectativa entre deputados e pode influenciar decisões sobre permanência ou mudança de partidos em meio às articulações para as próximas eleições.
O processo já teve dois pedidos de vista no tribunal, o que adiou sua conclusão. Apesar disso, parlamentares avaliam que o resultado da análise judicial poderá orientar a reorganização do quadro político dentro da Casa.
Um integrante da base do governo, por sua vez, não descarta a possibilidade de um novo adiamento. “Ninguém pode garantir que não haverá um terceiro pedido de vista”, adverte. Nos corredores da Assembleia, a avaliação predominante é que o desfecho do julgamento terá impacto imediato no ambiente partidário.
A análise ocorre em um momento em que o Legislativo estadual terá papel central caso seja necessário organizar uma eventual eleição indireta para o governo do estado – cenário, inclusive, já judicializado pelo PSD do prefeito do Rio, Eduardo Paes, um dos candidatos ao Palácio Guanabara.
Articulações e possíveis mudanças de partido
Enquanto aguardam uma definição do TSE, parlamentares intensificaram as conversas sobre o posicionamento político para as eleições. A incerteza institucional tem levado deputados a reavaliar suas estratégias partidárias e a discutir eventuais mudanças de legenda.
Na semana passada, integrantes da federação União Brasil-PP se reuniram para discutir a formação da nominata que será apresentada nas eleições estaduais. O encontro buscou alinhar posições entre os dois partidos, que vinham conduzindo articulações separadas.
Durante a reunião, os deputados apresentaram reclamações sobre a falta de definições em relação ao espaço político dentro da federação. Arthur Monteiro (União Brasil), André Corrêa (PP) e Marcelo Dino (União Brasil) teriam manifestado preocupação com a indefinição das chapas e indicaram a possibilidade de deixar suas legendas caso o cenário não se torne mais claro.
Dino, por exemplo, ficou na suplência nas eleições de 2022 e assumiu o mandato posteriormente após Márcio Canella se eleger prefeito de Belford Roxo. Entre parlamentares, há avaliação de que essa trajetória também reforça a preocupação do deputado com a consolidação de uma candidatura competitiva.

Tentativa de garantir unidade
Um deputado que participou das conversas afirmou que a reunião teve como objetivo evitar uma fragmentação interna. Segundo ele, a intenção foi justamente garantir unidade dentro da federação.
Parlamentares também destacaram que a distribuição de espaço nas chapas tem sido motivo de debate. Outro deputado afirmou que candidatos com votação expressiva enfrentam dificuldades para encontrar espaço em legendas menores.
“Um deputado com cerca de 50 mil votos não terá acomodação em uma sigla menor, onde disputaria espaço com candidatos de menor votação”, avaliou.
Para ele, a formação de federações partidárias pode ajudar a equilibrar a disputa. O parlamentar ressaltou ainda que a composição das nominatas precisa considerar diferentes perfis eleitorais.
“Não adianta ter uma nominata só com cabeça de chapa, pois a disputa se afunila. É preciso ter uma cabeça, a parte do meio e o fim dela. Temos que pensar em quem está na ponta também”, afirmou, acrescentando que as definições só ocorrerão depois do julgamento.
Puxador de votos
A aposta na federação União-PP é que o principal puxador de votos seja Marcelo Canella, irmão do prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella, e atual chefe de gabinete da prefeitura. A tendência é que ele dispute uma vaga na Alerj.
A expectativa é que o próprio prefeito funcione como fator de mobilização eleitoral. A avaliação de aliados é que Canella, ao renunciar o cargo para disputar uma vaga no Senado, amplie a visibilidade da campanha do irmão, atraindo um público mais amplo que pode ser decisivo nas eleições.
Troca-troca à vista
Entre as movimentações em curso, há a possibilidade de Arthur Monteiro trocar o União Brasil e pelo Solidariedade. Já o deputado Giovani Ratinho faria o caminho inverso, trocando o Solidariedade pelo MDB e levando consigo Marcelo Dino.
Outra mudança que vem sendo ventilada envolve a deputada Célia Jordão. Com perda de espaço político no PL e dentro da própria Assembleia, a parlamentar tende a se filiar ao MDB, partido em que já atua seu marido, o ex-prefeito de Angra dos Reis Fernando Jordão.
O fato é que o cenário de indefinição política tem acelerado conversas sobre alianças e reconfigurações partidárias, especialmente diante da proximidade do calendário eleitoral.






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