A exoneração da vereadora Thamires Rangel de um cargo no governo do Estado do Rio de Janeiro, publicada um dia antes da operação da Polícia Federal que prendeu seu pai, o deputado Thiago Rangel, trouxe novos elementos ao cenário político e investigativo envolvendo o grupo.
O ato foi assinado pelo governador em exercício Ricardo Couto e publicado no Diário Oficial com data de 4 de maio. Thamires ocupava a função de subsecretária adjunta de Conscientização Ambiental na Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade desde 2025, quando havia sido nomeada pelo então governador Cláudio Castro.
A exoneração ocorreu na véspera da 4ª fase da Operação Unha e Carne, que resultou na prisão de Thiago Rangel e investiga um esquema de fraudes em contratos públicos ligados à área de Educação.
Saída do cargo e retorno ao mandato
Após deixar o cargo no Executivo estadual, Thamires anunciou nas redes sociais que retornaria ao exercício do mandato na Câmara Municipal de Campos dos Goytacazes, cidade onde foi eleita vereadora.
A movimentação não foi isolada. A irmã do deputado, Marilucia Rangel Lima, também foi exonerada de função na mesma subsecretaria, onde atuava sob a chefia da sobrinha. A decisão foi publicada no Diário Oficial no dia seguinte, 5 de maio.
Ligação com investigação
A decisão do ministro Alexandre de Moraes que autorizou a operação da Polícia Federal menciona a campanha eleitoral de Thamires Rangel como um dos possíveis destinos de recursos investigados.
Segundo a PF, há indícios de que valores que podem chegar a R$ 2,9 milhões em caixa dois teriam sido destinados ao financiamento de campanhas políticas ligadas ao grupo de Thiago Rangel. Entre os nomes citados está o da própria vereadora, eleita em 2024.
A investigação também aponta que outros candidatos associados à base política do deputado em Campos dos Goytacazes podem ter sido beneficiados por repasses fora dos canais oficiais.
Como funciona o esquema investigado
A Operação Unha e Carne apura suspeitas de direcionamento de contratos públicos, fraudes em licitações, desvio de recursos e financiamento irregular de campanhas.
De acordo com as investigações, o grupo teria atuado principalmente em contratos relacionados a obras e serviços em escolas estaduais, com foco na região Norte Fluminense. A apuração é um desdobramento de fases anteriores da operação, que já haviam identificado conexões entre agentes públicos e empresários.
O que dizem os envolvidos
Em nota, a assessoria de comunicação de Thamires Rangel afirmou que não há elementos que comprovem irregularidades. “Não há qualquer fato na investigação que aponte para uso de caixa dois. Todas as contas foram prestadas e aprovadas pelo Tribunal Regional Eleitoral”, informou.
A vereadora também declarou que “todas as ações da campanha foram conduzidas em estrita conformidade com a legislação eleitoral vigente”.
Já a defesa de Thiago Rangel tem afirmado, em manifestações anteriores, que o deputado nega a prática de ilícitos e confia no devido processo legal.
Investigação segue
O caso permanece em apuração pelas autoridades federais e pode ter novos desdobramentos. A coincidência entre a exoneração e a operação policial não foi, até o momento, oficialmente relacionada pelas autoridades, mas reforça a atenção sobre o entorno político do parlamentar investigado






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