O Exército Brasileiro dá início, nesta segunda-feira (2), a um marco inédito em sua história: a incorporação das primeiras mulheres ao serviço militar como soldados. No Rio de Janeiro, 159 voluntárias começam a primeira fase presencial do processo seletivo, conduzido pelo Comando Militar do Leste (CML), que inclui conferência de documentos, avaliações de saúde e entrevistas.
A iniciativa representa um avanço histórico na política de inclusão da força terrestre e faz parte de um projeto de longo prazo que prevê que até 2035 o efetivo feminino alcance 20% do contingente de soldados do Exército.
Seleção ocorre no Palácio Duque de Caxias
As jovens voluntárias, todas nascidas em 2007, optaram espontaneamente pelo alistamento — diferente do modelo masculino, que é obrigatório. No Rio, uma das etapas presenciais acontece no Palácio Duque de Caxias, sede histórica do Comando Militar do Leste, no Centro da cidade, onde são realizados os procedimentos administrativos iniciais e avaliações médicas.
Após a conclusão das etapas de seleção e a incorporação formal, o serviço militar passa a ser obrigatório, seguindo as normas da Lei do Serviço Militar.
Distribuição em unidades estratégicas
As primeiras mulheres recrutas da história do Exército Brasileiro serão distribuídas em unidades de saúde, ensino e apoio. Além do Rio de Janeiro, o Comando Militar do Leste — que também abrange Minas Gerais e Espírito Santo — deve incorporar 37 mulheres em Juiz de Fora e 26 em Belo Horizonte.
O Exército garante isonomia total entre homens e mulheres incorporados. As recrutas terão os mesmos direitos e deveres dos soldados do segmento masculino, incluindo salário, plano de saúde, auxílio-alimentação, contagem de tempo para aposentadoria e demais benefícios previstos em lei, além do direito à licença maternidade.
““É um momento simbólico para o Exército, que reforça a valorização das mulheres em suas fileiras”, afirmou o major Hugo Chermann, porta-voz do Serviço Militar Feminino no Rio de Janeiro. “Nosso compromisso é conduzir esse processo com transparência, profissionalismo e igualdade de oportunidades”, completou.
Presença feminina cresce nas Forças Armadas
Atualmente, o Exército já conta com oficiais e praças mulheres atuando tanto em funções operacionais quanto em cargos de liderança, chefia e comando, especialmente nas áreas de saúde, administração e na linha bélica.
Para a coronel médica Ana Paula Reis, diretora da Policlínica Militar da Praia Vermelha e com quase três décadas de carreira, a abertura do serviço militar feminino representa uma virada histórica.
“Com esse avanço, a partir de 2026 teremos mulheres em todos os postos e graduações da carreira militar. As futuras soldados poderão enxergar exemplos de liderança e reconhecimento, fortalecendo a gestão e os valores éticos da instituição”, destacou.






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