Por Caio De Santis* (da equipe do blog em Brasília)
Partidos que orbitam o bolsonarismo estão de olho na vaga de vice, na chapa encabeçada por Alexandre Ramagem à prefeitura do Rio. O MDB de Washington Reis, que chegou a ser anunciado como vice do governador Cláudio Castro em 2022 antes de ser impugnado, já ofereceu ao menos dois nomes. A composição, entretanto, esbarra na vontade do ex-presidente Jair Bolsonaro, que quer uma chapa “puro-sangue” – com candidato e vice do PL.
Já a ala do partido mais próxima ao presidente nacional da legenda, Valdemar da Costa Neto, defende a união de forças, com o vice indicado por um partido como MDB ou até mesmo o Republicanos, que rompeu recentemente com o prefeito Eduardo Paes, que será candidato à reeleição.
Bolsonaro defende que o conceito da chapa à prefeitura do Rio replique o que ele colocou à frente em 2022, quando teve o correligionário Walter Braga Netto como vice. Nesse contexto, a deputada Chris Tonietto (PL-RJ) é tida como a vice ideal de dentro do bolsonarismo por ser a líder local do PL Mulher, próxima à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, e líder do movimento pró-vida. O mote da chapa giraria em torno da composição formada pelo delegado Ramagem, que seria capaz de “por ordem” na cidade e atuar estrategicamente em parceria com o governador Cláudio Castro, no que diz respeito à segurança pública. Em outro flanco, Tonietto traria o voto feminino e conservador.
O MDB, entretanto, já ofereceu alternativas como condição para dar o apoio. Ao diretório fluminense do PL, Washington Reis indicou o vereador Vitor Hugo para vice. O nome, entretanto, não teria agradado nem mesmo aos bolsonaristas que defenden a composição partidária. Como alternativa, Reis apresentou o nome do pastor Rafael Corato, nome ligado à Assembleia de Deus e que poderia trazer uma fatia do eleitorado religioso para a campanha de Ramagem. Nome forte do MDB na Câmara, Otoni de Paula teria sido descartado pelo bolsonarismo como eventual vice de Ramagem. Em qualquer uma das hipóteses – chapa puro sangue ou composição partidária – é certo que o perfil do vice deve refletir valores religiosos.
Embora saiba que a vaga de vice na chapa de Eduardo Paes (PSD) não será do MDB em hipótese alguma, Reis também já disse a aliados que mantém diálogos com o alcaide. As conversas funcionariam como uma espécie de “ferramenta de pressão” para forçar o PL a conceder a vaga de vice.
O Rio é considerado uma “questão de honra” para o bolsonarismo, por ser o berço do movimento político. Dentro do PL, a capital fluminense é encarada como uma espécie de termômetro da popularidade do ex-presidente. Há a torcida interna para que Lula indique o vice de Paes. Desta forma, a disputa poderia ser nacionalizada, com um nome de Bolsonaro de um lado e um escolhido do outro.
Caio de Santis é jornalista e integra a equipe do Blog do Ricardo Bruno em Brasília





