Ex-obreiros e pastores acusam Universal de assédio moral e obrigação de vasectomia; igreja nega

A Igreja Universal do Reino de Deus enfrenta processos judiciais de ex-obreiros, pastores e esposas de pastores que alegam ter sofrido assédio moral, perseguição e proibição de ter filhos. O Metrópoles teve acesso a ações que tramitam no Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (TRT-10), em que os autores relatam que foram obrigados a…

A Igreja Universal do Reino de Deus enfrenta processos judiciais de ex-obreiros, pastores e esposas de pastores que alegam ter sofrido assédio moral, perseguição e proibição de ter filhos. O Metrópoles teve acesso a ações que tramitam no Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (TRT-10), em que os autores relatam que foram obrigados a fazer vasectomia em clínicas clandestinas e a se filiar a partidos políticos para manter seus cargos pastorais.

Os ex-pastores também afirmam que a igreja impunha metas de arrecadação de dízimos e punia quem não as atingisse. Um deles diz que só pôde se casar com a atual esposa após obter a autorização de um superior, que lhe exigiu a vasectomia como condição para o matrimônio. A justificativa era de que os filhos atrapalhariam o ministério pastoral e a dedicação integral à igreja.

Os autores das ações pedem indenizações por direitos trabalhistas e, no caso do segundo pastor, também pelos danos morais e materiais causados pela vasectomia, que ele pretende reverter.

Em um terceiro processo, que ainda tramita no TRT-10, a esposa de um ex-pastor da igreja pede a condenação da instituição, no valor de R$ 1,5 milhão, por direitos trabalhistas não pagos.

Na ação, a mulher diz ter sofrido perseguições e assédio moral, e ainda acusa a Universal de “beneficiar-se ilicitamente da mão de obra” dela. No documento, a autora conta que “esposas de pastores são compelidas a prestar os mais variados serviços, pelo simples fato de que têm de auxiliar o marido em todas as obrigações a ele atribuídas em prol dos interesses da igreja”. Assim como nos casos anteriores, a mulher diz que o marido foi obrigado a fazer uma vasectomia para não perder o cargo de pastor na instituição

Segundo a autora do processo, há, ainda, na Universal, uma espécie de grupo direcionado a mulheres, chamado de Godllywood, cuja finalidade é estabelecer regras comportamentais, desde a vestimenta até o modo de falar e agir.

De acordo com ela, para participar do tal grupo, criado por Cristiane Cardoso, filha do líder da IURD, Edir Macedo, mulheres precisam passar por uma “espécie de prova”, conhecida como “Rush”, em que as candidatas cumprem tarefas e arrecadam valores para “demonstrar o quanto estão dispostas a integrar a iniciativa”.

Em nota, a Universal negou obrigar os seus pastores a se submeterem a vasectomia.

“A Igreja Universal do Reino de Deus esclarece — o que já é público — que a acusação de imposição de vasectomia é facilmente desmentida pelo fato de que muitos bispos e pastores da Universal, em todos os níveis de hierarquia da Igreja, têm filhos. São mais de 3 mil filhos naturais de membros do corpo eclesiástico da Igreja. O que a Universal estimula é o planejamento familiar, debatido de forma responsável por cada casal — como, aliás, está previsto em nossa Constituição Federal.

Quando uma pessoa opta pela vasectomia, como método contraceptivo, é algo completamente particular, entre médico e paciente/casal, não podendo ter qualquer ingerência de terceiros neste ato, ainda que fosse por motivo de credo.

Posto isto, vale lembrar que, assim como acontece com qualquer instituição neste país, seja religiosa ou não, a Universal também não é responsável por quaisquer decisões particulares de nenhum dos seus oficiais — que gozam de plena capacidade de decisão, sendo totalmente aptos para sua vida civil com absoluta autonomia.”

Com informações do Metrópoles

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