A Igreja Universal em Angola realizou no último dia 14 de janeiro uma assembleia-geral para eleger sua direção. O pleito, que integra o acordo conciliatório definido pelo governo do país, foi vencido pela “ala brasileira” comandada pelo angolano Alberto Segunda, ligado ao Bispo Edir Macedo. A oposição de bispos angolanos, porém, não reconhece a eleição e aumenta a tensão dentro da instituição.
Em comunicado publicado pela Deutsche Welle, a que o blog de Ricardo Noblat teve acesso, os dissidentes afirmaram que “a Iurd-Angola não convocou nenhuma assembleia-geral e não se vincula à dita assembleia-geral convocada por um dos bispos ligados ao bispo Alberto Segunda, em falsa qualidade, para ludibriar os fiéis e a sociedade, sem que para tal tenha sido mandatado pela direção da Igreja”.
O imbróglio começou no final de 2019 quando 300 bispos angolanos dissidentes fundaram o grupo “Reforma” e atacaram as lideranças brasileiras da igreja, acusando-as de racismo, imposição de vasectomias, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. O bispo Valente Bezerra é quem lidera a associação.
Segundo a denúncia, mais de 120 milhões de dólares saíram do país ilegalmente. No esquema, o dinheiro era enviado de carro para Johannesburgo, na África do Sul, via Namíbia, escondido em malas, no forro dos veículos e pneus.
Sobre a imposição de vasectomia a pastores, em 2022 o bispo brasileiro Honorilton Gonçalves, ex-chefe da TV Record no Brasil e líder da igreja em Angola, foi condenado a três anos de prisão. Sua pena foi suspensa por dois anos.
Com tantas acusações, o governo de Angola decidiu fechar todos os templos no país, que reuniam, segundo dados da instituição, ao redor de 500 mil fiéis. Decisão judicial ordenou a reabertura em 2022, inicialmente em Luanda, mas em outras cidades ela não foi respeitada.
Desde então os cultos acontecem em salões de festas, quintais e on-line. Os templos da Iurd que continuam abertos são os que foram tomadas à força pelos dissidentes angolanos liderados pelo outro bispo Valente Bezerra.
Em setembro de 2023, com mediação do governo de Angola, as alas brasileiras e angolanas anunciaram uma trégua e reconheceram Alberto Segunda como líder da organização, que passou a chamar-se Igreja do Reino de Deus em Angola (Irda). A votação realizada na semana passada mostra, no entanto, que o racha continua.





