Ex-ministro da Defesa diz na reunião com ministros que estava ‘na linha de contato com o inimigo’ em Comissão organizada pelo TSE

Participação de militares na Comissão convite do então presidente do TSE, Luís Roberto Barroso, para dar mais transparência ao processo eleitoral

Na reunião com ministros realizada no dia 5 de julho de 2022, o ex-ministro da Defesa e general Paulo Sérgio Nogueira afirmou que a pasta estava na “linha de contato com o inimigo” ao participar da comissão eleitoral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A participação dos militares na comissão ocorreu a convite do então presidente do TSE, Luís Roberto Barroso, com o intuito de dar mais transparência ao processo e de evitar questionamentos por parte do ex-presidente Bolsonaro e do seu entorno.

Na reunião em que Bolsonaro instiga uma ação dos ministros antes das eleições, temendo perder a disputa, Nogueira dá um panorama sobre como tem sido a ação dos militares na comissão.

— O que eu sigo nesse momento é apenas na linha de contato com o inimigo. Ou seja, na guerra, tem a linha de contato, linha de partida, vou romper aqui e iniciar a minha operação. Eu vejo as Forças Armadas e o Ministério da Defesa nessa linha de contato. Nós temos que intensificar e ajudar nesse sentido para que a gente não fique sozinho no processo — afirmou.

O vídeo é citado pela Polícia Federal como indício da existência de uma “dinâmica golpista” no governo passado. Na reunião, Nogueira fala sobre o trabalho dos militares na comissão, ressaltando que o objetivo é dar “mais transparência e melhores condições de auditoria”, e critica a atuação do TSE.

— O TSE tem o sistema e o controle do processo eleitoral, decidem aquilo que possa interessar ou não, não há instância superior e a gente fica meio que de mãos atadas esperando a boa vontade dele aceitar isso ou aquilo outro — disse. O ex-ministro ainda afirmou:

— A comissão é para inglês ver. Nunca essa comissão sentou numa mesa e discutiu uma proposta. É retórica, discurso e ataque à democracia, e eles fazem o que tem que ser feito. (…) A comissão teve cinco reuniões desde setembro. E só conversa para boi dormir. Que fique bem claro isso. Nós estamos juntos, presidente – disse o general Paulo Sérgio Nogueira.

Nesta quinta-feira, Bolsonaro e ex-ministros, como os generais Braga Netto (Casa Civil e Defesa) e Augusto Heleno foram alvos da PF após decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

Na decisão em que o ministro autoriza uma série de medidas, ele pontua que a reunião “revela o arranjo de dinâmica golpista, no âmbito da alta cúpula do governo” manifestando-se todos os investigados que dela tomaram parte no sentido de validar e amplificar a massiva desinformação e as narrativas fraudulentas sobre as eleições e a Justiça eleitoral”.

Conforme a investigação, o grupo atuava no sentido de descredibilizar o sistema eleitoral ao mesmo tempo em que buscava apoio de militares para impedir que o então presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, tomasse posse. Mensagens apreendidas pela PF mostram que o grupo buscou prova de fraudes do sistema eleitoral, mas mesmo sem êxito insistiam na propagação da desinformação.

Com informações de O Globo.

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