Ex-major bolsonarista preso por fraude em cartões de vacina diz à PF que não tem informações sobre o assassinato de Marielle

O advogado e militar da reserva Ailton Gonçalves Moraes Barros, um dos presos preventivamente na Operação Venire, da Polícia Federal, afirmou aos investigadores, em depoimento informal, que nada sabe sobre a autoria das mortes da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, em março de 2018. Por considerar inúteis as informações prestadas, os policiais…

O advogado e militar da reserva Ailton Gonçalves Moraes Barros, um dos presos preventivamente na Operação Venire, da Polícia Federal, afirmou aos investigadores, em depoimento informal, que nada sabe sobre a autoria das mortes da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, em março de 2018. Por considerar inúteis as informações prestadas, os policiais decidiram não produzir um termo escrito para não avolumar o inquérito sem necessidade.

Ex-candidato a deputado estadual pelo PL do Rio, Ailton é investigado por envolvimento em possível esquema de fraudes em dados de vacinação da Covid-19 nos sistemas do Ministério da Saúde. A PF, ao quebrar o sigilo dos suspeitos, descobriu uma mensagem de áudio, enviada por Ailton ao ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, tenente-coronel Mauro Cid, em que o advogado diz ter informações sobre as mortes de Marielle e Anderson: “Eu sei dessa história da Marielle toda, irmão, sei quem mandou. Sei a p*** toda. Entendeu?”.

Diante da polícia, contudo, Ailton recuou. Nada acrescentou aos dados já conhecidos. Um dos policiais chegou a comentar aos colegas: “O que ele sabe está na mídia”.

Ailton é apontado na investigação como uma espécie de intermediário do esquema de falsificação de cartões de vacina junto à prefeitura de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. O inquérito da Polícia Federal (PF) apurou que ele teria levantado lotes enviados ao Rio de Janeiro e cadastrado duas doses da Pfizer em nome de Gabriela Santiago Ribeiro Cid, mulher do ex-ajudante de ordens da Presidência. O advogado também conseguiu um cartão físico de vacinação para a mulher de Mauro Cid.

Em contrapartida, Ailton pediu a Mauro que intermediasse um encontro com o cônsul dos Estados Unidos para resolver problema relacionado ao visto ligado ao ex-vereador Marcello Siciliano, que chegou a ser investigado por envolvimento no caso Marielle. Tais suspeitas, mais tarde, foram descartadas pela própria PF.

Ailton disse a um amigo que foi visitá-lo na cadeia, o defensor público aposentado Ariosvaldo Goes da Costa Homem, que a referência ao Caso Marielle seria apenas uma “bravata” para impressionar o coronel Cid.

Com informações do Extra online.

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