O primeiro dia de negociações entre Estados Unidos e Irã terminou sem acordo neste sábado (11), em Islamabad. As discussões, que buscam encerrar o conflito no Oriente Médio, avançaram até a madrugada de domingo (12), após três rodadas de conversas.
O encontro marca o mais alto nível de diálogo direto entre os dois países desde a Revolução Islâmica de 1979. Apesar do clima de tensão, representantes indicaram que novas rodadas devem ocorrer nos próximos dias.
A guerra em curso já deixou milhares de mortos e provocou impactos globais, como a alta nos preços do petróleo, ampliando a pressão por um acordo diplomático.
Negociações seguem com divergências centrais
Autoridades iranianas afirmaram que ainda há “discordâncias remanescentes”, principalmente em relação ao controle do estreito de Hormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo.
A TV estatal do Irã classificou as exigências americanas como “excessivas” e “extravagantes”, sinalizando dificuldades para avanços concretos no curto prazo.
A delegação dos EUA é liderada pelo vice-presidente J. D. Vance e inclui o enviado especial Steve Witkoff e Jared Kushner. O grupo foi recebido por autoridades paquistanesas ao chegar à capital.
Irã adota tom duro e cobra garantias
Do lado iraniano, a comitiva reúne mais de 70 integrantes, liderados por Mohammad Baqer Ghalibaf e Abbas Araghchi. O grupo chegou ao Paquistão vestindo preto, em luto pela morte do líder supremo Ali Khamenei.
A porta-voz do governo iraniano declarou que o país negocia “com o dedo no gatilho”, destacando desconfiança em relação aos EUA, embora mantenha abertura ao diálogo.
Durante a viagem, Vance afirmou esperar avanços, mas alertou que a delegação americana não será “receptiva” a possíveis tentativas de pressão ou manobras iranianas.
Segurança reforçada e mediação paquistanesa
As reuniões acontecem em um hotel de luxo altamente protegido em Islamabad, com forte esquema de segurança envolvendo tropas e bloqueios pela cidade.
Segundo informações da imprensa internacional, incluindo o The New York Times e a Al Jazeera, os encontros estão ocorrendo de forma direta, com representantes dos dois países na mesma sala, mediadas por autoridades paquistanesas.
O formato difere de negociações anteriores, quando intermediários transmitiam mensagens entre as delegações.
Cessar-fogo frágil e tensão regional ampliam pressão
O diálogo ocorre em meio a um cessar-fogo temporário de duas semanas. O Irã exige que qualquer acordo inclua o fim de ataques no Líbano e a retirada de sanções econômicas.
Os EUA e seus aliados, por outro lado, resistem a incluir o conflito libanês nas negociações. Paralelamente, confrontos continuam na região, com ações do grupo Hezbollah contra posições israelenses.
O cenário pressiona as negociações e aumenta a complexidade de um possível acordo, que dependerá de concessões em múltiplas frentes diplomáticas e militares.





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