Estratégia do PL no Rio foi lançar dois candidatos além de Ramagem que subtraíssem votos de Paes para evitar vitória no primeiro turno

Marcelo Queiroz e Rodrigo Amorim tentaram sem êxito cumprir a missão

Enquanto Marcelo Queiroz (PP) se envolvia em ações como a “cãominhada” e recolhia bitucas de cigarro na praia, buscando se posicionar como uma alternativa de centro, Rodrigo Amorim (União) enfrentava graves acusações, incluindo agressão a um candidato a vereador do PT e insultos a estudantes universitários. Além disso, sua candidatura foi indeferida devido a casos de violência política de gênero.

Ambos os candidatos, incentivados pelo PL de Alexandre Ramagem na pré-campanha, tinham como objetivo enfraquecer o prefeito Eduardo Paes (PSD), mas suas trajetórias nos últimos 45 dias se mostraram bem diferentes. O que uniu os dois foi o desempenho insatisfatório nas pesquisas.

A estratégia do PL, que contava com o apoio do Palácio Guanabara, revelou-se ineficaz.

O plano pretendia fragmentar o cenário eleitoral com duas candidaturas auxiliares a Ramagem, dificultando uma possível vitória de Paes no primeiro turno.

Amorim cumpriu o que se esperava dele ao trazer à tona a face mais radical do bolsonarismo, enquanto Ramagem optou por um papel menos belicoso. Por outro lado, Queiroz, que era mais alinhado ao governador Cláudio Castro (PL), seguiu um caminho de maior independência, adotando uma campanha focada em nichos — como descreveu um de seus aliados, “uma campanha de deputado federal”. No entanto, ambos encontraram dificuldades para conquistar a preferência dos eleitores.

Amorim é um bolsonarista raiz. Tem menos relação com Castro e mais com a família Bolsonaro, à qual prestou continência para seguir adiante com a candidatura. Entrou no jogo também como estratégia do presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar, que comanda o União Brasil no estado e é um potencial candidato ao Guanabara daqui a dois anos. Não interessava a Bacellar deixar o partido no colo de Paes, como cogitavam alguns caciques nacionais que nutrem apreço pelo prefeito.

O que se viu, no entanto, foi uma espécie de candidatura fantasma, ao menos nas ruas. Quase não havia material de campanha, tampouco agendas de corpo a corpo com eleitores. O candidato do União passou mais tempo nos trabalhos da Alerj, alheio ao processo eleitoral. Por lá, relatou inclusive uma CPI, a da Transparência, que coloca o governo do suposto aliado Castro nas cordas.

Na campanha, Amorim aparecia nos momentos de maior exposição. Não deixou de marcar presença, por exemplo, em debates na UFRJ e na PUC, nos quais protagonizou brigas com universitários — “usuários de drogas” e “socialistas de iPhone”, nas palavras dele. Em outro episódio de baixaria, foi acusado pelo candidato a vereador Leonel de Esquerda (PT) de lhe desferir um chute na cara durante confusão na Tijuca. O petista foi parar no hospital.

O debate da Globo foi uma espécie de ato final, no mesmo dia em que o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) indeferiu a candidatura por violência política de gênero, no âmbito de uma acusação de transfobia. Ao intensificar a dobradinha com Ramagem, Amorim fez insinuações sobre a sexualidade dos adversários e colocou na roda temas totalmente desvencilhados da eleição carioca, como o Hamas e o Hezbollah.

Cláudio Castro atuou com vigor para que o PP lançasse a candidatura própria de Queiroz, bem mais de centro que Amorim, além de ter trabalhado para fazer o PSDB embarcar na chapa. Com isso, reduziu a aliança que o prefeito planejava, tirou dele um tempo razoável de propaganda na TV e estimulou a tentativa — agora, sabe-se, fracassada — de roubar votos de Paes.

— No início, muitos acreditavam que eu seria apenas uma linha auxiliar do PL. No entanto, ficou evidente que segui um caminho independente, com uma abordagem alternativa e focada em propostas concretas — avalia Queiroz.

Com uma campanha de poucos ataques e de fidelização de temas caros à sua trajetória política, sobretudo a causa animal, o candidato do PP fez o que era possível, analisam aliados. Marcou posição e pavimentou o caminho para se reeleger deputado federal daqui a dois anos.

Não escapou, contudo, de algumas provocações. Com passagens por secretarias nas gestões Paes e Marcelo Crivella, na esfera municipal, e de Castro e Wilson Witzel, na estadual, ouviu o prefeito sugerir um “pacto” no debate da Globo: que quem fosse eleito não o indicasse para nenhuma pasta na futura gestão.

A história das eleições cariocas mostra que, mesmo que o segundo colocado tenha um bom desempenho, a soma do “terceiro pelotão” é decisiva para resolver ou não o jogo no primeiro turno. Os resultados de Amorim e Queiroz, até aqui, dão motivos para Eduardo Paes acreditar em uma vitória já nesta noite de domingo.

Com informações de O Globo.

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