Céu azul, temperatura na casa dos 30 graus e boa parte das praias próprias para banho. Depois de uma semana com temperaturas baixas, o Rio vai ter um sábado na medida para quem quiser matar saudades do verão — como prevê o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Na capital, as atenções se voltam para a Praia do Flamengo, que pela quinta vez seguida aparece como própria para banho no boletim divulgado pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea). Ao longo de todo o ano, a praia apresentou balneabilidade apenas quatro vezes, e só em um dos trechos monitorados.
Nas areias do Flamengo, o francês Alexis Zelenski, de 40 anos, brincava de construir uma piscininha com a filha Sofia, de 2 anos. Ele conheceu a esposa na França, onde moravam, mas, por saudades que ela, paulista, tinha do Brasil, decidiram voltar. Quem escolheu o Rio foi Alexis, inspirado pelas belezas naturais. Há oito anos em Laranjeiras, era a primeira vez que realizava o desejo antigo de mergulhar no “brejo”, trecho da orla apelidado por causa da sujeira que, agora, ganhou areas de point com suas águas límpidas.
— É a primeira vez que eu entro na água. Parece que está limpa agora, dá para tomar banho sem a preocupação de ter esgoto. Dava vontade de entrar, mas não podia. Agora é um paraíso. A água é tranquila para as crianças — disse ontem o pai de duas meninas, enquanto ajudava a mais velha na brincadeira.
Com as mãos cheias de areia, Sofia esperava ansiosamente por uma onda que enchesse o espaço cavado por ela. Quando a água batia, a menina exibia uma mistura de surpresa e euforia.
A estiagem dos meses de inverno ajuda. O fluxo menor de águas nos rios e galerias pluviais resulta em menos dejetos despejados no mar. Segundo o Alerta Rio, a média de chuva registrada na cidade nos últimos 15 dias foi de apenas 9,2 milímetros. Para efeito de comparação, acumulados entre 5 e 25 milímetros por hora são enquadrados como chuva moderada, de acordo com o sistema de medição da prefeitura.
Thiago Pampolha, vice-governador do Rio e secretário estadual do Ambiente e Sustentabilidade, acrescenta outros motivos, além da falta de chuvas, para as águas cristalinas ostentadas em praias como a do Flamengo e a da Urca, que esta semana, pela terceira vez seguida, conquistou a condição de “própria para o banho” no levantamento do Inea.
— Muita gente aponta o período seco como causa, é claro que tudo conta, mas esse resultado é fruto dos investimentos que o governo e a concessionária de água e esgoto vêm fazendo. Prova disso é que fizemos um comparativo dos meses de junho desde 2018 até este ano e o que observamos foi uma redução de 97% dos coliformes registrados. Isso é muito significativo — assegura Pampolha.
O secretário também recorre a estudo comparativo da balneabilidade feito em um espaço de seis anos: em 2018, a praia esteve própria para banho em apenas 1% das vezes, enquanto em 2023 o percentual subiu para 9% no primeiro semestre.
Uma das ações para melhorar a qualidade das águas na região da Baía da Guanabara foi a limpeza do interceptor oceânico, realizada pela Águas do Rio, e o consequente desvio do Rio Carioca para o sistema de coleta. Na altura de Botafogo, também foram desviados os rios Berquó e Banana Podre. De acordo com a concessionária, as obras e a fiscalização de despejos irregulares foram responsáveis por evitar o despejo de 40 milhões de litros de esgoto por dia no mar, o equivalente a 16 piscinas olímpicas.
Dados mais recentes do Inea, coletados nas zonas Sul e Oeste da cidade, atestaram que estão impróprias para o banho apenas as praias de Botafogo, da Barra da Tijuca — nos trechos diante do Quebra Mar, do Riviera Country Club e do 2º Grupamento Marítimo dos Bombeiros — e o Pontal de Sernambetiba, na parte próximao ao canal. Em Niterói, devem ser evitadas as praias de Jurujuba, Gragoatá, Flechas, São Francisco, em frente à Rua Caraíbas, e Charitas, do lado direito do Clube Naval. Já na bucólica Ilha de Paquetá, Tamoios e Moreninha estão impróprias.
A notícia da multiplicação de águas limpas pela costa da cidade é bem-vinda, mesmo que em pleno inverno. Ontem, em praias mais frequentadas, muita gente foi buscar fonte de calor natural para “quebrar o gelo”. No Arpoador, o instrutor de ioga Kadu Borges, de 41 anos, saiu de casa só de sunga, descalço e com o celular numa bolsa impermeável. Ele é paranaense e mora no Rio há quase 20 anos.
— Impensável curtir uma praia assim no Paraná em pleno inverno. São privilégios do Rio. O sol saiu, eu vim energizar um pouco. Tem que aproveitar — contou.
Na Praia da Joatinga, depois de renovar o bronzeado, a estudante de Direito Cecilia Lobo, de 19 anos, foi embora antes das 14h:
— É meu primeiro dia de praia nessa estação. Começou a fazer sombra na areia, eu fujo, porque vai esfriando.
Com informações do GLOBO.





