O depoimento de Kauan Silva Bezerra, amigo de Douglas Alves da Silva, tornou-se o elemento central da investigação sobre o atropelamento e o arrastamento de Tainara Souza Santos, de 31 anos, na Marginal Tietê, em São Paulo. Segundo Kauan disse à Polícia Civil, Douglas “estava transtornado” no momento em que avançou com o carro contra a vítima, o que reforça suspeitas de motivação por ciúmes e desmonta a versão apresentada pelo preso.
A declaração contraria o que Douglas afirmou em vídeo após sua prisão, quando declarou não conhecer Tainara e ter atingido a mulher “por engano”, alegando querer atropelar apenas o homem que a acompanhava. O testemunho de Kauan, porém, indica que havia forte tensão emocional e histórico entre o suspeito e a vítima.
Relato detalha comportamento agressivo
Kauan disse à polícia que conhece Douglas há quatro anos e que ambos estavam juntos em um bar na madrugada de sábado (29), onde encontraram Tainara — com quem, segundo o depoente, o suspeito manteve um relacionamento no passado. Ver a mulher conversando com outro rapaz teria deixado Douglas enfurecido, iniciando uma discussão dentro do estabelecimento, informa a CNN Brasil.
Segundo o depoimento, a dupla deixou o bar e seguiu para o carro, dando a impressão de que iriam embora. No entanto, Kauan relatou que Douglas deu meia-volta repentinamente e passou a acelerar “do nada”, avançando diretamente contra Tainara. Ele afirmou que “não teve tempo de reação” para impedir a agressão.
Amigo descreve tentativa deliberada de matar
O depoente também contou que, após atropelar a vítima, Douglas puxou o freio de mão e “deu pressão” com o carro, em um movimento que aparentava ser uma tentativa de matar. Kauan destacou que tentou impedir o amigo, mas que ele estava completamente “transtornado”, frase que se tornou elemento-chave na leitura policial sobre o comportamento do motorista.
A versão apresentada pelo amigo reforça que havia vínculo entre Douglas e Tainara, desmontando a narrativa gravada pelo suspeito após sua prisão, na qual negava qualquer relação com a vítima e dizia ter sido mal interpretado pelas imagens e pela internet.
Contradições na versão do suspeito
No vídeo divulgado no domingo (30), Douglas alegou que pretendia atropelar apenas o rapaz que acompanhava Tainara e que não sabia quem era a mulher atingida. Ele disse ter sido ameaçado durante uma confusão no bar e insistiu que não tinha relação com a vítima.
O testemunho de Kauan, porém, aponta que Douglas conversou com Tainara instantes antes do crime e que demonstrou ciúmes ao vê-la acompanhada. Para a polícia, essa divergência profunda entre depoimentos é crucial para entender a motivação e o dolo da agressão.
Vítima foi arrastada por cerca de um quilômetro
Imagens mostram Tainara caminhando na rua pouco antes do atropelamento. Minutos depois, câmeras registraram o momento em que o veículo avança e passa por cima dela. Outro vídeo, gravado por um motorista na Marginal Tietê, flagra a mulher sendo arrastada por uma longa distância, estimada em aproximadamente um quilômetro.
Tainara foi socorrida em estado gravíssimo e levada ao Hospital Municipal Vereador José Storopolli. Mãe de dois filhos, ela precisou ser entubada, passou por transfusão de sangue e teve as duas pernas amputadas abaixo dos joelhos.






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