Escola de Artes da Maré faz primeira residência artística no Nordeste

Iniciativa reúne 13 artistas do Ceará, Rio de Janeiro e Bahia em residência formativa que culminará na mostra coletiva ‘Confluências’

A Escola Livre de Artes da Maré (ELÃ) realiza, pela primeira vez, uma edição de sua residência formativa no Nordeste, reunindo 13 artistas do Ceará, Rio de Janeiro e Bahia em uma experiência de criação, formação e intercâmbio cultural. A iniciativa é promovida pelo Observatório de Favelas em parceria com a Produtora Automatica, em colaboração com o Hub Cultural Porto Dragão, o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura e o Instituto Práticas Desobedientes.

Reconhecida por fortalecer a produção artística de criadores de favelas e periferias, a ELÃ chega ao Ceará ampliando sua atuação para novos territórios e consolidando uma rede de formação voltada à arte contemporânea. Ao longo de suas edições, a escola tem se destacado como um espaço de experimentação, pesquisa e desenvolvimento de trajetórias artísticas, promovendo debates sobre território, identidade, educação e produção cultural.

A escola já contribuiu para a formação de artistas que hoje ocupam espaço de destaque na cena contemporânea brasileira e internacional, entre eles Kiara Nana, Aya Ibej, Irmãs Brasil, Mayra, Bruno Lyfe e Guilherme Kid.

Participantes

Nesta edição, participam da residência Amanda Nunes da Silva, Ceú Vasconcelos, Dhiovana Kecia Barroso Sarmento, Izabelle Louise, Kaya, kulumym-açu, Luli Pinheiro, Mar Aya Carneiro da Silva, Suellem Cosme de Oliveira, Wendy Candy, todos do Ceará, além de Agatha Maria e Thiago Alves Saraiva, do Rio de Janeiro, e Rafael Ramos, da Bahia.

Durante todo o mês de julho, os participantes desenvolvem pesquisas e processos criativos no Hub Cultural Porto Dragão por meio de laboratórios, vivências, oficinas e acompanhamentos curatoriais. As atividades buscam estimular a experimentação artística e o diálogo entre diferentes linguagens e experiências culturais.

Para a diretora do Observatório de Favelas, Isabela Souza, a chegada da ELÃ ao Ceará representa um importante avanço na construção de redes entre artistas e instituições de diferentes regiões do país.

“A ELÃ nasceu do desejo de afirmar favelas e periferias como territórios realizadores de arte, conhecimento e imaginação política. Chegar ao Ceará amplia esse horizonte e fortalece as conexões entre artistas, instituições e experiências de diferentes regiões do Brasil”, afirma.

Exposição ‘Confluências’

A residência será encerrada com a inauguração da exposição coletiva Confluências, marcada para o dia 18 de julho no Museu de Arte Contemporânea do Ceará (MAC-CE), localizado no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura. A mostra, com curadoria de Ana V. Lopes, Jean Carlos Azuos e Bárbara Banida, reunirá as obras produzidas durante o período de formação e ficará aberta à visitação até setembro.

Inspirada no conceito de confluência desenvolvido pelo Mestre Nêgo Bispo, a exposição propõe reflexões sobre o encontro entre diferentes saberes, memórias e modos de existência. As obras apresentam processos de criação compartilhados e destacam a diversidade de narrativas e experiências construídas coletivamente pelos artistas participantes.

Ao término da exposição, também será lançado um catálogo reunindo registros, reflexões e documentação da residência artística, consolidando a experiência da primeira edição da ELÃ realizada no Nordeste.

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