A Escola Maria Felipa, a primeira instituição de ensino afro-brasileira com um projeto pedagógico antirracista, inaugurou sua unidade no Rio de Janeiro. Localizada em Vila Isabel, na Zona Norte, a escola oferece um currículo que valoriza as histórias e culturas africanas e indígenas, pouco exploradas no sistema educacional comum. Filial da unidade de Salvador, na Bahia, a Maria Felipa acolhe crianças de 2 a 11 anos e abrange desde o ensino infantil até o 5º ano do fundamental 1.
A fundadora da escola, Bárbara Carine, socióloga e escritora, idealizou o projeto em 2017, motivada pela falta de espaços educativos que respeitassem as raízes afro-brasileiras. Segundo Bárbara, a proposta é apresentar uma perspectiva de ensino decolonial, onde culturas africana, indígena e europeia são abordadas com igualdade, contribuindo para a valorização da brasilidade.
O currículo vai além do conteúdo convencional, introduzindo a mitologia dos orixás, o Dia de Pessoas Ícones da Abolição e a Festa do Sol, entre outras comemorações, numa proposta que segue as diretrizes do Ministério da Educação (MEC).
Espaço onde criança negra pode visualizar futuro com dignidade
A atriz Leandra Leal, uma das sócias da nova unidade junto com Bárbara e Maju Passos, descreve a experiência de sua filha em uma das semanas na unidade de Salvador como algo transformador, destacando o conforto e representatividade que a escola oferece. Para Leandra, o espaço representa um lugar onde crianças negras podem visualizar um futuro com dignidade e reconhecimento.
Com o valor mensal de R$ 2.090, a Maria Felipa inclui alimentação para os alunos e oferece bolsas integrais para 20% das vagas, destinadas a crianças negras e indígenas em situação de vulnerabilidade, com renda de até um salário mínimo. A escola também disponibilizará um edital para bolsas de 50% a famílias com renda até R$ 10 mil, promovendo maior acesso ao seu projeto pedagógico inclusivo.
A psicóloga Mariana Magalhães, mãe de Theo, de 2 anos, vê a escola como um espaço de fortalecimento e valorização da identidade negra. Segundo ela, Theo terá uma base de aprendizado que o fará sentir orgulho de suas origens, em um ambiente onde sua herança cultural será respeitada e valorizada.
A chegada da escola ao Rio é marcada pelo Festival Avante, que acontecerá em dezembro e será aberto ao público, oferecendo à comunidade a oportunidade de conhecer o projeto.
Com informações de O Globo





