Erdogan se reelege na Turquia e avisa o povo no primeiro discurso: “Estaremos juntos até o túmulo”

Antes mesmo de o Conselho Superior Eleitoral da Turquia anunciar sua vitória, o presidente reeleito da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, de 69 anos, já discursou em Istambul, num pronunciamento que teve pelo um momento estranho, quando ele afirmou ao povo que o assistia: – Estaremos juntos até o túmulo – disse Erdogan, que foi primeiro-ministro…

Antes mesmo de o Conselho Superior Eleitoral da Turquia anunciar sua vitória, o presidente reeleito da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, de 69 anos, já discursou em Istambul, num pronunciamento que teve pelo um momento estranho, quando ele afirmou ao povo que o assistia:

– Estaremos juntos até o túmulo – disse Erdogan, que foi primeiro-ministro entre 2003 e 2014, quando se elegeu presidente pela primeira vez.

O atual presidente da Turquia se reelegeu ontem ao vencer Kemal Kilicdaroglu, de 74 anos. Com a vitória em um segundo turno inédito na história moderna do país, Erdogan inicia mais um ciclo no comando da nação, que ele lidera, como primeiro-ministro e presidente, há 20 anos.

Segundo a contagem oficial, o atual presidente teve 52% dos votos e seu rival, 48%. O resultado, dizem especialistas, confirma o dom de Erdogan para a sobrevivência política. 

Enfrentando um eleitorado castigado por uma crise econômica, o líder turno mudou o rumo do debate eleitoral priorizando temas como terrorismo e soberania nacional.

Seu adversário, apontado como um burocrata pouco carismático, seguiu até o final da campanha do segundo turno apostando no discurso da inflação alta e críticas a medidas autoritárias de Erdogan. Sua retórica, porém, não convenceu.

Erdogan ganhou destaque quando foi prefeito de Istambul, em 1998. Político polarizador, ele é acusado por críticos de desmantelar a democracia do país usando táticas repressivas contra a sociedade civil e a imprensa. No entanto, para seus apoiadores, Erdogan é um visionário tocador de obras, que defende grandes projetos de infraestrutura ao mesmo tempo que traz o Islã de volta à vida pública.

Steven Cook, membro sênior do Conselho de Relações Exteriores com sede em Washington, disse que Erdogan vai se movimentar para mudar a Constituição e ampliar os poderes presidenciais. “Seria um texto menos democrático”, afirmou.

O líder turco reeleito foi responsável por transformar a função de presidente, antes meramente cartorial, em um cargo que lhe concedeu amplos poderes, após vencer um referendo em 2017, que deu fim ao parlamentarismo no país.

Um ano antes, ele quase foi derrubado por um golpe de Estado liderado por militares e muçulmanos que o apoiavam. Conseguiu sobreviver e iniciou um expurgo com milhares de pessoas acusadas de conexões com o plano de levante presas e pelo menos 100 meios de comunicação fechados.

Em um discurso na TV na sede de seu partido em Ancara, Kilicdaroglu admitiu a derrota. O adversário prometeu manter a luta pela democracia. “Passamos por um dos processos eleitorais mais injustos dos últimos anos.”

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