O Brasil concentra 76% dos incêndios na América do Sul, com mais de 5 mil focos registrados em 24 horas, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O Cerrado, bioma mais afetado, superou a Amazônia ao registrar 2.489 focos, impulsionado por uma combinação de fatores climáticos e ação humana.
Ane Alencar, diretora do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), alerta que os incêndios se intensificaram devido à antecipação do período crítico, lembrando que o cenário atual já supera o do ano passado. Nos primeiros dez dias de setembro, o Brasil contabilizou 37.492 focos de incêndio, mais que o dobro do registrado em 2023.
Alencar destaca que o fenômeno climático El Niño, o aquecimento global e a atividade humana agravaram a situação, criando uma “tempestade perfeita”. Incêndios têm avançado em áreas da Amazônia, Pantanal e Cerrado, causando impactos ambientais e econômicos.
Parque da Chapada dos Veadeiros teve 10 mil hectares queimados
O Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, em Goiás, teve 10 mil hectares atingidos, mas as áreas turísticas permanecem abertas, segundo a administradora Parquetur. Em Mato Grosso, o estado com o maior número de focos, pontos turísticos foram interditados pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
A seca agrava o cenário, mas, segundo Ane Alencar, o fogo é resultado direto da ação humana, seja por queimadas para renovação de pastagens ou para desmatamento. Esses incêndios têm causado danos à biodiversidade, afetando espécies e ecossistemas. Os impactos também se refletem na economia, com a perda de árvores frutíferas e gado em pastos queimados.
Doenças respiratórias se multiplicam
Além dos danos ambientais e econômicos, a crise das queimadas no Brasil traz sérias consequências para a saúde pública. O Ministério da Saúde acionou a Força Nacional do Sistema Único de Saúde (FN-SUS) para ajudar a conter os efeitos da poluição do ar, que se agravam com os incêndios. As doenças respiratórias provocadas pela fumaça se multiplicam, sobrecarregando o sistema de saúde em várias regiões do país.
A pesquisadora Ane Alencar alerta que, apesar das proibições de manejo do fogo em algumas áreas, é fundamental aumentar a conscientização da população sobre os riscos.
Sem o envolvimento da sociedade, as autoridades não terão recursos suficientes para controlar a situação. Além disso, a perda de serviços ecossistêmicos, como a retenção de carbono e o fornecimento de água, continua a agravar o impacto das queimadas, que se tornam cada vez mais difíceis de conter.
Com informações da Agência Brasil





