O presidente eleito da Argentina, Javier Milei, confirmou nesta quarta-feira (29) que o peronista Daniel Scioli continuará como embaixador do país no Brasil. A decisão é mais um sinal de aproximação do ultradireitista com o governo brasileiro, depois que a futura chanceler argentina, María Eugenia Vidal, se reuniu com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, em Brasília, no domingo, e reiterou o convite ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a posse.
Scioli foi o responsável por intermediar o encontro e é considerado uma peça-chave para evitar uma crise na relação entre as duas nações, após os ataques de Milei a Lula durante a campanha presidencial.
O anúncio acontece no mesmo dia em que Milei confirmou Luis Caputo, conhecido como o “Messi das finanças”, como ministro da Economia. Aos poucos, o ultradireitista tem revelado mais detalhes sobre o seu futuro Gabinete e demonstrado uma postura mais moderada do que adotada na campanha, inclusive como a participação de pessoas próximas ao peronismo, como Scioli.
Desde 2020, o embaixador argentino era representante do governo do peronista Alberto Fernández e conseguiu, apesar das diferenças ideológicas, estabelecer um bom vínculo entre o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. A habilidade política é um dos ativos para a nova fase da relação entre os países, novamente com orientações políticas divergentes no poder, mas interesses econômicos indissociáveis.
Semana passada, Milei declarou que, se vier à posse, o chefe de Estado brasileiro “será bem recebido”. Mas a presença já confirmada de Bolsonaro acompanhado de uma delegação expressiva é um dos entraves para a participação de Lula.
Durante a campanha, o argentino referiu-se ao presidente brasileiro como comunista e corrupto. Scioli chegou a ensaiar uma candidatura às eleições presidenciais neste ano pelo peronismo, contra a vontade de Cristina Kirchner, mas com a aprovação de Fernández. Uma manobra no ministro da Economia e adversário de Milei no segundo turno, Sergio Massa, frustrou os planos do embaixador, que não chegou a figurar entre as opções nas primárias do partido.
Em 2015, ele disputou as eleições contra o ex-presidente Mauricio Macri, um dos principais aliados de Milei junto com a sua apadrinhada, a terceira colocada Patricia Bullrich. Na época, Scioli foi o nome escolhido por Kirchner.
No passado, o embaixador também foi ministro e governador da província de Buenos Aires.
Com informações de O Globo
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